Crítica sobre o Sistema Único de Saúde

Mesmo com uma enfermidade, tive o desejo de colocar essa crítica sobre a calamidade que o SUS vive em seu atual momento. Toda vez que sou acometido por uma gripe, ou resfriado, prefiro sem sombra de dúvidas, me automedicar, isso porque infelizmente nesse país, quem não desfruta de um convênio médico, sofre com o estado deplorável do Sistema Único de Saúde. De acordo com uma reportagem da Folha de São Paulo, quase um terço dos brasileiros resistem a possibilidade de ter que ir ao médico, mesmo sabendo do estado de saúde. Entre quem tem alguma doença, 30% não foram ao médico em 2008, de acordo com a pesquisa da Escola Nacional de Saúde Pública. Mas quais são os motivos que fizeram que o sistema chegasse aonde chegou?

Vários são os motivos, mas creio que o principal é a sua estrutura. Por exemplo, na universidade, são poucas as pessoas que se interessam pelo campo da medicina e as que aceitam tal desafio, não querem sair do pólo sudeste do Brasil. Quem aceita exercer a carreira no nordeste ou norte tem que conviver com a falta de recursos, tão entranhados pelos confins das cidades.

Consequentemente, quando não há médicos disponíveis o suficiente, acaba gerando a superlotação dos estabelecimentos de saúde. Quando um cidadão chega a um posto da AMA (Assistência médica ambulatorial) em São Paulo, tem que esperar em média uma hora para a sua consulta. Ao chegar sua hora, o médico raramente olha para você e muito menos te examina. Apenas faz um breve interrogatório e, concluindo, receita um remédio que muitas vezes não é específico para aquele seu problema. O “paciente” tem que sair rapidamente para dar lugar ao próximo. Nesse começo de semana inevitavelmente lembrei-me de uma máquina de produção: Quanto mais pessoas o “doutor” atender, mais tempo livre ele terá de usufruir da sua melhor maneira. Concluindo, a relação médico-paciente está deteriorada.

Outro motivo é a falta de tempo. Quando pessoas que estudam e trabalham ficam enfermas, a medicação manual torna-se mais prática e rápida. Fruto do sistema econômico vigente? Pode ser. Mas o que importa é que não queremos perder tempo dentro de um posto de saúde ou hospital.

O brasileiro já está calejado em épocas como essa de eleições, verem os candidatos da situação mostrar o Brasil como um paraíso, que muitas coisas foram realizadas e que vão continuar com a política estabelecida. Já os da oposição podem até reconhecer que a vida das pessoas melhorou, mas sempre há aquele fato, ou de despreparo, ou de corrupção, que batem na mesma tecla com o intuito de causar uma lavagem cerebral e assim, tirar o nosso poder de opinião.

Sempre digo que nós, como cidadãos, devemos exercer o nosso papel social, buscando e dialogando com quem nos representa, uma resposta e uma ação eficaz, que atinja o cerne do problema e resolva senão de uma vez por todas, pelo menos algumas mudanças significativas no ramo da saúde. Em Cuba, por exemplo, o sistema de saúde dá subsídio a todos os moradores da ilha, disponibilizando tanto médicos residenciais, quanto os distritais, além dos especializados. Não há segregação e a expectativa de vida dos cubanos é comparada a países de primeiro mundo, como o Canadá.

Pode ser uma tarefa difícil, agirmos para mobilização das pessoas quanto a essa questão? Sim, mas devemos nos lembrar de que esse problema atinge a maioria dos brasileiros, entre as classes C e E. O município, governo e a União são nossas ferramentas, é a nossa ouvidoria. Basta querermos usá-la da melhor maneira.

Anthony Cardoso

Anúncios

Parcialidade na cobertura eleitoral

Na ”guerra suja” eleitoral, o alvo mais atingido é a informação. No caso, a candidata Dilma Rousseff. O segundo turno da eleição à Presidência da República é um vaivém de falsas informações. Para desqualificar um candidato, existe um repertório infalível de temas recorrentes: religião, sexualidade, aborto e escândalos. Some-se a isso, parcialidade da imprensa.

Até duas semanas atrás, Dilma liderava as pesquisas. Era quase certa sua eleição no primeiro turno. Até o ex-presidente FHC jogou a toalha e admitia sua vitória. Contudo, habilmente, o marketing contrário a Dilma entrou em cena. Como? Criou-se uma série de boatos que se espalharam feito vírus pela internet. Resultado: veio o segundo turno.

Neste segundo turno da eleição, o arsenal de mentiras é execrável. Corre por aí que a Dilma é homossexual. Pronto, muitos eleitores desavisados deixaram de votar nela. O disparate é que a candidata é avó e está casada há mais de 30 com o mesmo homem.

Outra balela: a candidata do PT é favorável ao aborto. Qualquer leitor atento sabe que brasileiro é conservador e machista, mais ainda, em se tratando de votar em mulher. Espalhar por aí que alguém é favorável ao aborto é tiro certo. Contudo, raramente ouço alguém dizer das incontáveis mulheres que morrem neste País todos os dias fazendo abortos clandestinos. Em nenhum momento de suas entrevistas, não vi Rousseff defender o aborto. Ao contrário, vejo sua luta pela defesa da vida.

Finalmente, usaram o episódio da Erenice Guerra para atingir Dilma. Aliás, defendo que a ex da Casa Civil, Guerra, deve ser investigada e punida sim caso tenha cometido deslize. Some-se a isso, o acesso indevido à Receita Federal. Também defendo uma punição rigorosa aos culpados.

Tem mais: o candidato da oposição, José Serra, por sua vez não enfrenta os mesmo tipos de ataques que Dilma. Afinal, parte da imprensa é parcial e está ao lado daqueles que representam tão bem seus interesses. No governo Serra, policiais, professores e médicos fizeram greve por causa dos baixos salários e péssimas condições de trabalho. O interessante é que não vejo ninguém falar disso. Recebi incontáveis e-mails apontando falhas de Dilma na Casa Civil, mas não recebi nada contrário ao Serra. Parece que contra ele nada pesa.

Ou seja, temos dois pesos e duas medidas. Pus-me a repensar alguns episódios de sua passagem meteórica pelo governo de São Paulo. Tivemos o confronto sangrento entre policiais civis em greve e militares ocorrido no Morumbi, zona sul da capital, a morte de inocentes por causa das obras do metrô, linha 4 amarela, as inúmeras rachaduras em paredes e estragos em imóveis causados pelas construções de várias estações do metrô e o desabamento no Rodoanel Mário Covas. É lembrar que muita gente perdeu seus imóveis por causa dessas obras e ainda estão alojados vergonhosamente em hotéis. Porque todos eles não foram indenizados?

Tudo isso e muito mais ocorreu no governo Serra. Não podemos esquecer que usou a Prefeitura de São Paulo como trampolim para se tornar governador. Eleito, fez o mesmo esquema para ser presidente da República. Caso seja eleito presidente da República, qual será sua próxima jogada eleitoral? Quanto tempo ficará na Presidência? Anos, meses, dias…

O que não consigo entender é que quem critica Dilma consegue fechar os olhos para estes e outros fatos absurdos ocorridos no governo tucano. Ou melhor, como consegue dormir um sono calmo e tranquilo? Dou uma sugestão. Visite uma escola pública e verifique como estão. Sendo assim, entendo que jornalismo responsável e isento é aquele que informa e deixa que o leitor tire suas conclusões. Afinal, para que serve um jornalismo que mente e manipula as informações conforme lhe convém? Ou melhor, quero o bom jornalismo que está a serviço da sociedade e democracia.

Finalmente, para quem preza a verdade é bom pensar verdadeiramente que interesses está patrocinando. Então, se é para denunciar, que isso seja feito com equidade e justiça para ambos os lados. O que não vale é atirar pedra somente em um lado. Isso é covardia. É o mesmo que atirar no próprio coração. Afinal, quem perde com isso somos nós cidadãos que pagamos impostos abusivos e a democracia! Está escrito: ”aquele que dentre vós estiver sem pecado, atire a primeira pedra”.

Ricardo Santos é professor de história e jornalista

Introdução – Aforismos

Como primeiro post, gostaria de colocar alguns pontos sobre os objetivos desse blog.

Divulgar os trabalhos de estudantes de Ciências Sociais, expondo com a ajuda de autores da área de humanas e co-relacionados, uma visão da sociedade como ela foi e como ela é. Mostrar como o homem pode, no meio em que vive, definir-se mediante perspectivas políticas, culturais e sociais e por sua vez reformar o seu próprio meio, numa constante transformação. Pegando um gancho nas palavras de Heráclito (540 – 470 a.C), tudo flui, porque assim como as águas de um rio não são as mesmas, o homem também não será o mesmo.

Em verdade, vivemos diariamente essas relações, mas não nos damos conta de tamanha relevância. A recorrente alcunhada Vida Moderna parece não dar espaço para reflexão. A soma do trabalho com os estudos, com namorado(a), mais amigos, aliada aos meios de comunicação (isso se conseguirmos usar de todos esses meios!) se torna a nossa imagem, de pessoas ocupadas, sempre com algo a fazer. Nos dedicamos ao externo, mas nem sempre nos desprendemos desse mundo para viver o nosso interior.

Karl Marx (1818-1883) em seus estudos sobre o modo de produção capitalista, dizia em linhas gerais que o homem no mundo do capital, caracterizado pela divisão do trabalho e manufatura, alienava-se de si mesmo, tornando-se uma mera engrenagem de uma monstruosa máquina: a máquina de fazer dinheiro. O processo de Reificação (coisificação) era de fato inevitável, pois tal panorama, na época, de uma Inglaterra onde recentemente havia sido emergido a Revolução Industrial e as fábricas como força motriz desse sistema, trazia diante da sociedade, um novo paradigma. O homem do campo, acostumado a trabalhar na terra, fazendo parte daquele cenário feudal, agora era obrigado a migrar para as cidades, onde um novo modelo econômico vigorava.

Este foi apenas um exemplo de integração do indivíduo na sociedade, que como objeto de estudo, deve ser recorrido para uma melhor compreensão de nós mesmos

Anthony Cardoso