Rolezinho, mais simples do que parece

Rolezinho

 Por Gil Marçal via Outras Palavras

Ao mercado cabe experimentar seu próprio veneno. Aos governos, se inteligentes, aproveitar a potencialidade de quem mobiliza milhares para encontro despretensioso e barato

É próprio da juventude, principalmente na adolescência, a busca por identidade. A cultura, sobretudo por meio da música, tem um papel fundamental nessa construção. Podemos citar o rock progressivo nos anos 60, o movimento punk nos anos 80, o hip hop na virada dos 80 pros 90, o movimento clubber ou o grunge nos anos 90 e, por que não, o funk na atualidade. De qualquer forma, não podemos negar a importância da cultura e das tendências comportamentais, para a juventude, na constituição de sua identidade. São referências catalisadoras de um sentimento contemporâneo num contexto temporal.

Os shoppings centers também se colocaram para esta juventude como um espaço de constituição de identidade, neste caso uma identidade individualista, afirmada a partir de marcas e grifes, promovidas e vendidas cotidianamente por uma ideologia de consumo – daí a máxima “consumo, logo existo”. Os jovens da classe média com meios financeiros para comprar essa identidade são acolhidos por essa lógica, enquanto os jovens das classes baixas se esforçam para adquirir, no mínimo, um tênis e um boné “de marca”, muitas vezes por meio de pesada pressão em cima dos pais – frequentemente mães solteiras –, para inserir-se socialmente por meio do consumo.

É fácil criticar o funk, principalmente o que ficou conhecido como funk ostentação, que se afirma pela posse de bens como correntes e relógios de ouro, carros importados e marcas famosas. Mas é comum que não se leve em consideração o comercial do carro importado a partir de 70 mil reais, apresentado exaustivamente na TV aberta, sagradamente no horário nobre de cada dia, mas que não é para todos, é para quem pode se destacar, para quem pode ser “diferente”.

É nessa confluência entre a identidade coletiva, promovida pela cultura, e a identidade individualista, promovida pelo consumo, que reside o choque entre o rolezinho e o shopping center.

O capital força o governo a não cercear o mercado, restringindo seu papel apenas ao incentivo, principalmente com a redução dos impostos, como no caso do IPI aplicado aos automóveis e eletrodomésticos de linha branca. Mas quando se discute o caos em que as grandes metrópoles se encontram, com a superlotação por veículos individuais, atribui-se a culpa ao Estado pela falta de transporte público eficiente e de qualidade. Quando o Estado tenta responder a esta demanda criando corredores de ônibus, é atacado de forma violenta pelos meios de comunicação, que chegam a influenciar outros poderes, como é o caso da ampliação dos corredores de ônibus, que está sendo coibida por juízes a serviço dos empresários do ramo automobilístico. Um sistema que impede a tributação mais justa do IPTU, em nome da economia de migalhas para uma classe média gananciosa, em detrimento da justiça social.

Os empresários apresentam o shopping center como espaço de conforto e segurança de certo padrão de comportamento, onde jovens não podem marcar encontros em grande escala, perturbando a “ordem” e causando “constrangimento”. E delegam ao Estado (governos) a responsabilidade de promover espaços que acolham estes jovens com lazer e entretenimento. Os shoppings condensam dentro de um só espaço o suprassumo da vida urbana, como os games e os cinemas, as tendências da moda e da tecnologia, a alimentação e por consequência o convívio. Tudo o que é importante para a juventude.

Os shopping centers se caracterizam por serem espaços privados de acesso público. Ao negarem que são espaços de acesso público, perdem o direito de acionar os serviços públicos, como no caso a segurança urbana por meio das forças policias. Os jovens têm, pois, total direito de realizar seus encontros nesses espaços, uma vez que o interesse é público. Não poderiam ser coibidos, constrangidos ou agredidos, tendo em vista que, frente a qualquer necessidade real de acionar as forças públicas, a conta seria paga com dinheiro do próprio povo. As estações de metrô conectadas aos shoppings centers são exemplos desta mesma lógica. Que interesse haveria nesta conexão se o acesso não fosse, de fato, público?

O rolezinho é parte das necessidades inerentes da juventude: necessidades de convívio, de diversão, de encontro. Mas o rolezinho no shopping center é fruto do sistema capitalista, que relaciona afetividade e consumo – haja vista alguns comerciais que praticamente nos fazem chorar de emoção e, ao terminar, apresentam marcas de refrigerantes, eletrodomésticos, carros e outros produtos, pondo à venda a felicidade humana a preços elevados.

Teóricos de direita, esquerda e jornalistas apresentam suas teses sobre o fenômeno. Os de direita vendem a ideia de uma juventude desinteressada e marginal, sendo que, na totalidade dos rolezinhos, não houve arrastão nem roubo de mercadorias. Sugerem ainda que os rolezinhos ocorram em bibliotecas e que os jovens busquem informação e emprego – mas, estes encontros não têm ocorrido justamente nos finais de semana? Os de esquerda evocam o apartheid não institucional no Brasil e as questões de raça e cor, e se manifestam contra a sociedade de consumo e a segregação social. Mas estes jovens, como já dito, estão calçando tênis da marca em voga, ainda que a duras penas. A imprensa fala em baderna e perturbação da ordem, principalmente do MEDO gerado por estas concentrações. Mas pânico e correria, ao que parece, foram decorrência da ação dos seguranças e da polícia militar. Ir e vir, só se for para consumir.

Os rolezinhos são apontados como espaços de uso de drogas e geração de violência, como se não houvesse trotes violentos e drogas nas escolas particulares e universidades de grande reconhecimento. Além disso, fora os títulos sensacionalistas, não é o que a própria mídia impressa apresentou sobre as experiências ocorridas no último mês. Em suma, os eventos ocorreram de forma pacífica, sem roubos ou violência. O que realmente pega é que os rolezinhos atrapalharam o que há de mais sagrado para a sociedade de consumo: as vendas. E a ideia de proteção e segurança, que tem a maior importância para nossa sociedade.

Essa geração reconhece o shopping como espaço de referência e de segurança, o que contribui para a tranquilidade de seus pais, vendo a rua como local inseguro. Vale lembrar que, quando estes jovens se encontram nas ruas, também são coibidos, por meio da força, para dispersar. O poder das redes sociais ainda é pouco assimilado pelos adultos. E a reflexão deste momento não pode deixar de fora o genocídio da juventude pobre, negra e periférica – tão discutida pelos jovens ativistas da periferia.

Voltemos à nossa adolescência e evoquemos o que motivava nossos 14, 15 ou 16 anos. Tentemos olhar este fenômeno contemporâneo de forma genuína. Observemos então o que estes jovens têm dito sobre seus encontros, e perceberemos que o que os motiva são as “curtições”, “se divertir”, “pegar geral”, “beijar” “sem alastrar”, “sem fazer arrastões” ou cometer “vandalismos”. Talvez então possamos ter propostas de troca ou interação com essa galera, que se apresenta como sujeitos de uma necessidade de convívio, e não como pequenos marginais que acabam com a “ordem”. São sobretudo adolescentes e jovens que moram nas periferias da cidade, que estudam em escolas públicas, falidas, e que buscam o direto de serem adolescentes e jovens – apenas isso.

A coibição destes encontros pode até politizar o “movimento”, dentro dos moldes conhecidos por nossa forma de fazer política. Mas como consequência, e não como ponto de partida. Aqui, o mais próximo do que chamamos de política está no simples encontro: no conhecer outras pessoas, no beijo.

Ao mercado cabe experimentar um pouco das consequências de sua própria forma de ser, experimentar seu próprio veneno. Aos governos, se forem inteligentes, cabe aproveitar a potencialidade dessa galera de 16 anos, que mobiliza mais de mil pessoas para um encontro despretensioso e economicamente barato. Esse poder de mobilização para a cultura é um prato cheio, enquanto teatros e bibliotecas estão vazios.

*Gil Marçal tem 34 anos, nascido e criado na região do M’Boi Miriam na periferia da Zona Sul da cidade; na adolescência começou a fazer produção cultural, depois foi Coordenador do Programa VAI e atualmente dirige a área de Cidadania Cultural da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

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Jovens vão às ruas e nos mostram que desaprendemos a sonhar

O fundamental não é lutar pelo direito de fumar maconha em paz na sala da sua casa. O fundamental não é o direito de andar vestida como uma vadia sem ser agredida por machos boçais que acham que têm esse direito porque você está “disponível”. O fundamental não é garantir a opção de um aborto assistido para as mulheres que foram vítimas de estupro ou que correm risco de vida. O fundamental não é impedir que a internação compulsória de usuários de drogas se transforme em ferramenta de uma política de higienismo social e eliminação estética do que enfeia a cidade. O fundamental não é lutar contra a venda da pena de morte e da redução da maioridade penal como soluções finais para a violência. O fundamental não é esculachar os torturadores impunes da ditadura. O fundamental não é garantir aos indígenas remanescentes o direito à demarcação das suas reservas de terras. O fundamental não é o aumento de 20 centavos num transporte público que fica a cada dia mais lotado e precário.

O fundamental é que estamos vivendo uma brutal ofensiva do pensamento conservador, que coloca em risco muitas décadas de conquistas civilizatórias da sociedade brasileira.

O fundamental é que sob o manto protetor do “crescimento com redução das desigualdades” fermenta um modelo social que reproduz – agora em escala socialmente ampliada – o que há de pior na sociedade de consumo, individualista ao extremo, competitiva, ostentatória e sem nenhum espaço para a solidariedade.

O fundamental é que a modesta redução da nossa brutal desigualdade social ainda não veio acompanhada por uma esperada redução da violência e da criminalidade, muito pelo contrário. E não há projeto nacional de combate à violência que fuja do discurso meramente repressivo ou da elegia à truculência policial.

O fundamental é que a democratização do acesso ao ensino básico e à universidade por vezes deixam de ser um instrumento de iluminação e arejamento dos indivíduos e da própria sociedade, e são reduzidos a uma promessa de escada para a ascensão social via títulos e diplomas, ao som de sertanejo universitário.

O fundamental é que os políticos e grandes partidos antigamente ditos “libertários” e “de esquerda” hoje abriram mão de disputar ideologicamente os corações e mentes dos jovens e dos novos “incluídos sociais” e se contentam em garantir a fidelidade dos seus votos nas urnas, a cada dois anos.

O fundamental é que os políticos e grandes partidos antigamente ditos “sociais-democratas” já não tem nada a oferecer à juventude além de um neo-udenismo moralista que flerta desavergonhadamente com o autoritarismo e o fascismo mais desbragados.
O fundamental é que a promessa da militância verde e ecológica vai aos poucos rendendo-se aos balcões de negócio da velha política partidária ou ao marketing politicamente correto das grandes corporações.

O fundamental é que os sindicatos, movimentos populares e organizações estudantis estão entregues a um processo de burocratização, aparelhamento e defesa de interesses paroquiais que os torna refratários a uma participação dinâmica, entusiasmada e libertária.

O fundamental é que temos em São Paulo um governo estadual que é francamente conservador e repressivo, ao lado de um governo federal que é supostamente “progressista de coalizão”. Mas entre a causa da liberação da maconha e defesa da internação compulsória, ambos escolhem a internação. Entre as prostitutas e a hipocrisia, ambos ficam com a hipocrisia. Entre os índios e os agronegócio, ambos aliam-se aos ruralistas. Entre a velha imprensa embolorada e a efervescência libertária da Internet, ambos namoram com a velha mídia. Entre o estado laico e os votos da bancada evangélica, ambos contemporizam com o Malafaia. Entre Jean Willys e Feliciano, ambos ficam em cima do muro, calculando quem pode lhes render mais votos.

O fundamental é que o temor covarde em expor à luz os crimes e julgar os aqueles agentes de estado que torturaram e mataram durante da ditadura acabou conferindo legitimidade a auto-anistia imposta pelos militares, muitos dos quais hoje se orgulham publicamente dos seus crimes bárbaros – o que nos leva a crer que voltarão a cometê-los se lhes for dada nova oportunidade.

O fundamental é que vivemos numa sociedade que (para usar dois termos anacrônicos) vai ficando cada vez mais bunda-mole e careta. Assustadoramente careta na política, nos costumes e nas liberdades individuais se comparada com os sonhos libertários dos anos 1960, ou mesmo com as esperanças democráticas dos anos 1980. Vivemos uma grande ofensiva do coxismo: conservador nas ideias, conformado no dia-a-dia, revoltadinho no trânsito engarrafado e no teclado do Facebook.

O fundamental é que nenhum grupo político no poder ou fora dele tem hoje qualquer nível mínimo de interlocução com uma parte enorme da molecada – seja nas universidades ou nas periferias – que não se conforma com a falta de perspectivas minimamente interessantes dentro dessa sociedade cada vez mais bundona, careta e medíocre.

Os mesmos indignados que se esgoelam no mundo virtual clamando que a juventude e os estudantes “se levantem” contra o governo e a inação da sociedade, são os primeiros a pedir que a tropa de choque baixe a borracha nos “vagabundos” quando eles fecham a 23 de Maio e atrapalham o deslocamento dos seus SUVs rumo à happy-hour nos Jardins.

Acuados, os políticos “de esquerda” se horrorizam com as cenas de sacos de lixo pegando fogo no meio da rua e se apressam a condenar na TV os atos de “vandalismo”, pois morrem de medo que essas fogueiras causem pavor em uma classe média cada vez mais conservadora e isso possa lhes custar preciosos votos na próxima eleição.

Enquanto isso a molecada, no seu saudável inconformismo, vai para as ruas defender – FUNDAMENTALMENTE – o seu direito de sonhar com um mundo diferente. Um mundo onde o ensino, os trens e os ônibus sejam de qualidade e gratuitos para quem deles precisa. Onde os cidadãos tenham autonomia de decidir sobre o que devem e o que não devem fumar ou beber. Onde os índios possam nos mostrar que existem outros modos de vida possíveis nesse planeta, fora da lógica do agribusiness e das safras recordes. Onde crenças e religião sejam assunto de foro íntimo, e não políticas de Estado. Onde cada um possa decidir livremente com quem prefere trepar, casar e compartilhar (ou não) a criação dos filhos. Onde o conceito de Democracia não se resuma à obrigação de digitar meia dúzia de números nas urnas eletrônicas a cada dois anos.

Sempre vai haver quem prefira como modelo de estudante exemplar aquele sujeito valoroso que trabalha na firma das 8 da manhã às 6 da tarde, pega sem reclamar o metrô lotado, encara mais quatro horas de aulas meia-boca numa sala cheia de alunos sonolentos em busca de um canudo de papel, volta para casa dos pais tarde da noite para jantar, dormir e sonhar com um cargo de gerente e um apartamento com varanda gourmet.

Não é meu caso. Não tenho nem sombra de dúvida de que prefiro esses inconformados que atrapalham o trânsito e jogam pedra na polícia. Ainda que eles nos pareçam filhinhos-de-papai, ingênuos em seus sonhos, utópicos em suas propostas, politicamente manobráveis em suas reivindicações, irresponsavelmente seduzidos pelos provocadores de sempre.

Desde a Antiguidade, esses jovens ingênuos e irresponsáveis são o sal da terra, a luz do sol que impede que a humanidade apodreça no bolor da mediocridade, na inércia do conformismo, na falta de sentido do consumismo ostentatório, nas milenares pilantragens travestidas de iluminação espiritual.

Esses moleques que tomam as ruas e dão a cara para bater incomodam porque quebram vidros, depredam ônibus e paralisam o trânsito. Mas incomodam muito mais porque nos obrigam a olhar para dentro das nossas próprias vidas e, nessa hora, descobrimos que desaprendemos a sonhar.

Via Blog do Luis Nassif

Um panorama da 2ª Marcha da Liberdade

Ontem fui na 2ª marcha da liberdade, realizada na avenida paulista, em São Paulo – SP; senti vontade de ir porque como estudante de Ciências Sociais, nunca tinha presenciado uma manifestação popular desse porte e por isso soou com uma obrigação em ir. Na semana que antecedeu o evento, conversando com um amigo por telefone, discutíamos a validade desse protesto. Citei pra ele uma reportagem da Folha, que colocava os jovens como “arroz de protesto”, onde a autora, a Sra. Anna Virgínia Balloussier, em poucas palavras e com duas jovens entrevistadas parecia ter diagnosticado o motivo real daqueles jovens estarem ali. Se essas duas jovens eram minoria eu não sei, porém enfatizei essa notícia para o meu amigo e salientei que diante da minha experiência ocular e embasado no que já li sobre a juventude no século XX, os jovens hoje em dia são quase estáticos quanto a situação política e social do Brasil.

Mas eu aprendi que pra dar uma opinião concreta, a presença no local é importante, a não ser que queiramos assumir um discurso retórico, e se transformar em um intelectual de gabinete, que construiu sua bagagem com livros e mais livros, internet e nunca saiu às ruas para ver com seus próprios olhos como a história é formada. Por isso, não fui influenciado o suficiente pela velha e leviana mídia que nunca relata o que realmente acontece em eventos desse porte e fui in loco.

Instigado pela oportunidade, fui a Avenida Paulista e chegando perto do Masp já vi o “Palocci” e a “Dilma” de mãos dadas a correr pelas calçadas. A polícia estimou em 2000 pessoas, mas achei que deveriam ter menos. As placas já estavam a mostra e a imprensa afoita, a busca da melhor foto, da melhor imagem. Às 16h10 saímos para o sentido consolação e começaram os coros de protestos que foram direcionados para diversos âmbitos; pela liberdade de auto-gestão dos corpos, no caso do aborto; contra a abusiva tarifa de ônibus de R$3, onde o excesso do valor não é convertido em qualidade e praticidade no transporte público; contra a construção da Usina de Belo Monte, no Pará; a favor de uma democracia direta; contra a homofobia e a favor da aprovação imediata da PL 122; contra o uso de armas letais pela polícia. A solidariedade aos bombeiros do Rio de Janeiro também estava presente. Até o apresentador Rafinha Bastos, do CQC, que no twitter, colocou que uma mulher feia deveria agradecer por ser estuprada, foi alvo de xingamentos; e também uma representante das empregadas domésticas estava no local. Porém os gritos que dominaram a marcha da liberdade foram a favor da legalização da maconha.

Defendo que a livre manifestação deve ser exercida, conforme está estipulada na constituição brasileira, porém quase todos os gritos foram pró-maconha. Não ouvi nenhum coro a favor de uma reforma na saúde e na educação, apesar de (sejamos justos) ver algumas placas onde a critica do sucateamento educacional e a busca ensandecida por diplomas estavam escritas. Deve-se lembrar que a Marcha da Liberdade foi criada em conseqüência da repressão policial na Marcha da Maconha, em 21 de maio e num ato inteligente dos organizadores, uma nova marcha a favor de várias questões que estão sendo discutidas no país inteiro foram reunidas com um propósito de gritar contra a censura e a favor da liberdade de expressão.

Um fato que eu achei interessante foi o número de jovens que estavam no evento. Sem dúvida a maioria era de jovens e só o fato de estarem lá, ao contrário do que enfatizou a repórter da Folha, já mostra que ainda há uma parcela da sociedade que não se conforma com o status quo e por isso expressa a sua revolta na avenida mais expressiva de São Paulo.

Contornamos a avenida e depois de duas horas, finalmente chegamos a Praça Oswaldo Cruz, na região do paraíso, com a polícia nos acompanhando sempre e atenta.

Como estudante da sociedade, elogio esse ato e é importante que a juventude tome conhecimento dos assuntos que os cercam e saibam que ela é o motor para uma mudança nesse país. Torço para que esse movimento cresça consideravelmente e, acima de tudo, busquem uma unidade e reivindique uma sociedade mais justa, baseada na igualdade, no recíproco direito de livre expressão e contra a censura que em pleno século XXI ainda está em voga, em um Estado que parece laico, mas não é.

Anthony Cardoso