Aos Homens da Inglaterra

Homens da Inglaterra, por que arar
para os senhores que vos mantêm na miséria?
Por que tecer com esforço e cuidado
as ricas roupas que vossos tiranos vestem?
Por que alimentar, vestir e poupar
do berço até o túmulo,
esses parasitas ingratos que
exploram vosso suor – ah, que bebem vosso sangue?

Por que, abelhas da Inglaterra, forjar
muitas armas, cadeias e açoites
para que esses vagabundos possam desperdiçar
o produto forçado de vosso trabalho?
Tendes acaso ócio, conforto, calma,
abrigo, alimento, o bálsamo gentil do amor?
Ou o que é que comprais a tal preço
com vosso sofrimento e com vosso temor?

A semente que semeais, outro colhe.
A riqueza que descobris, fica com outro.
As roupas que teceis, outro veste.
As armas que forjais, outro usa.
Semeai – mas que o tirano não colha.
Produzi riqueza – mas que o impostor não a guarde.
Tecei roupas – mas que o ocioso não as vista.
Forjai armas – que usareis em vossa defesa.

Poema de Shelley citado em Huberman, Leo, História da Riqueza do Homem, Zahar Editores, 17ª ed.

Homem – nada

Baseado em Nowhere Man – The Beatles

Homem nada

Grande homem nada

O que você faz?

O nada

 

Como você se formou

Por que não mudou?

Onde se atualizou?

Em nada

 

Tu tens o poder

Mas não sabe exercer

Seu grupo pode querer

“Não, prefiro o nada”

 

Chego em casa

A novela passa

Um ladrão seu telhado trespassa

O que penso: “nada”

 

A tarifa aumenta

Impostos altos você aguenta

Um moribundo passa mal

Em um leito enferrujado no hospital

(Pra não dar em nada)

 

Homem-nada!

O mundo está na sua mão!

Não deixe isso ser em vão

“Pra quê? Não vai dar em nada”

 

No fechar das cortinas

Aparecem vestidas

Elas, eu e você

No grande espetáculo do nada!

 

Anthony Cardoso