Futebol Filosófico – Alemanha X Grécia

Anthony Cardoso

O futebol é um dos esportes (senão o único) mais popular no mundo. Por isso, o grupo de humoristas Monty Phyton fizeram um paródia mesclando o futebol de dois países jogado por grandes nomes da Filosofia ocidental.

O resultado é divertido, com as “seleções” pensando em uma maneira de ganhar o jogo através de suas contribuições filosóficas. Tal vídeo é um clássico e vale a pena ver e rever.

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Humilhado por racistas, Touré deu a resposta que fez a Fifa tremer.

Cosme Rímoli via R7

1afp6 Humilhado por racistas, Touré deu a resposta que fez a Fifa tremer. Ameaçou liderar um boicote de negros à Copa da Rússia. Blatter imediatamente agiu. Sabe que não há Mundial sem negros, amarelos, brancos, mestiços. As punições serão duras aos clubes e aos racistas...

O presidente Joseph Blatter nunca soube lidar com o racismo.

Fazia de conta que não percebia.

O comandante da Fifa já disse absurdos.

Como um enorme.

Insistiu que qualquer ofensa racial dentro do campo não deve ser levada a sério.

“Depois tudo se acerta após o jogo, com um aperto de mãos.”

Foi massacrado pela imprensa internacional.

A postura do presidente da Fifa incentivava o preconceito.

O Leste Europeu se tornou especialista em atos racistas.

Vários foram os casos nos últimos anos.

Com torcedores imitando macacos, jogando banana para atletas negros.

Faixas com frases que envergonham a humanidade.

Muitos jogadores negros já passaram pelas humilhantes situações.

Paulinho, ex-Corinthians, chorou ao se lembrar do que passou na Lituânia.

“Vou levar as lembranças ruins para o resto da minha vida. Sofri muito com preconceito e com racismo na Lituânia. Logo na minha primeira partida começaram a imitar macaco, jogar moedas e algumas outras coisas. Quando ia passar com a minha esposa nas ruas, algumas pessoas ficavam esbarrando para que a gente revidasse de alguma forma, querendo arrumar algum tipo de briga ou discussão. Esses episódios me deixaram mal e me fizeram pensar na possibilidade de desistir do futebol. O racismo me derrubou, me arrebentou.”

Paulinho ficou traumatizado.

Tinha apenas 17 anos.

Relembrou o que sofreu ao Lance!

E por causa dessa angústia, não estava com pressa para voltar à Europa.

Até que representantes do Tottenham o convenceram.

Não passaria o mesmo na Inglaterra.

Foi, mas avisou que romperia o contrato se sofresse racismo outra vez.

Na Rússia, Roberto Carlos ficou transtornado.

O ex-lateral da Seleção passou muita vergonha.

As torcidas do Krylya Sovetov e do Zenit mostraram seu lado racista.

Imitavam macaco cada vez que ele pegava na bola.

E chegaram até a jogar bananas em sua direção.

Infelizmente, a Rússia vem se especializando na intolerância.

O caso mais recente, no entanto, foi com o jogador errado.

Na partida entre CSKA e Manchester City, o alvo dos torcedores foi logo escolhido.

Yaya Touré, jogador negro que nasceu na Costa do Marfim.

Era só a bola cair no seu pé e lá vinha a imitação de macacos na arquibancada.

A partida era válida pela Champions League.

O marfinense ficou revoltado.

Mas não seguiu o caminho fácil de apenas reclamar na imprensa.

Parou o jogo, mostrou ao árbitro e pediu que a partida fosse encerrada.

2afp3 Humilhado por racistas, Touré deu a resposta que fez a Fifa tremer. Ameaçou liderar um boicote de negros à Copa da Rússia. Blatter imediatamente agiu. Sabe que não há Mundial sem negros, amarelos, brancos, mestiços. As punições serão duras aos clubes e aos racistas...

Não foi.

Touré tomou uma decisão que fez Blatter acordar de vez para a questão.

Foi claro.

“Esse tipo de situação tem de acabar até o Mundial de 2018.

Se não acabar, vou ajudar a organizar um boicote dos negros.

Não teremos tranquilidade para jogar.

Não iremos para a Rússia.

Nem nós e nem os torcedores dos países que jogamos.”

Declarou sem medo.

Bastou para Blatter.

Misturar em uma só frase boicote e Mundial é seu pesadelo.

Ainda mais saída da boca de um ídolo do futebol inglês.

Seria inimaginável uma Copa sem negros.

Impossível.

Sem Balotelli, Touré, sem Neymar…

Sem as Seleções Africanas.

A proposta do marfinense é forte e factível.

Os exemplos de casos de racismo na Europa são vergonhosos.

Blatter sentiu o baque.

E também a pressão da UEFA de Platini.

2reproducao11 Humilhado por racistas, Touré deu a resposta que fez a Fifa tremer. Ameaçou liderar um boicote de negros à Copa da Rússia. Blatter imediatamente agiu. Sabe que não há Mundial sem negros, amarelos, brancos, mestiços. As punições serão duras aos clubes e aos racistas...

Percebeu o quanto a postura da Fifa é branda, quase conivente.

Não adianta apenas multar e obrigar os clubes a jogar com portões fechados.

Aqueles que possuem racistas entre seus torcedores precisam pagar caro.

Depois da ameaça de Touré, Blatter encomendou mudança nas regras.

Ele vai atender à reivindicação do jogador do Manchester City.

E na, próxima temporada, os imitadores de macacos e lançadores de banana que se preparem.

A ideia da Fifa é pressionar que eles sejam proibidos de assistir aos jogos.

Pressionar que as polícias os identifiquem e indiciem.

E os proíbam de ir para os estádios nos dias em que seus times estiverem jogando.

Aos clubes, as punições serão muito mais severas.

Em vez de multas, perda de pontos.

E, em caso de reincidência, até mesmo eliminação de campeonatos.

Touré fez Blatter parar de fingir que não enxerga.

Nunca mais foi pelo caminho da hipocrisia.

A de aceitar que os jogadores se ofendam do que for.

E depois tudo seja esquecido com mero aperto de mão.

Chamar o adversário de ‘macaco’ não será mais ‘coisa de jogo’.

Como defendem vários treinadores.

Inclusive Felipão, quando estava no Palmeiras.

Quando Danilo xingou Manoel de macaco.

E ainda lhe deu uma cusparada no rosto.

O STJD aplicou a suspensão de 11 jogos.

O que seria um exemplo acabou em vexame.

O tribunal acabou liberando o zagueiro de quase metade da punição.

Ele só teve de cumprir seis jogos.

Decisão vergonhosa.

E que só premiou o ato racista, preconceituoso de Danilo.

A Fifa pretende evitar essa situação.

E deverá também exigir punições graves aos jogadores.

Não tolerará palavrões e gestos preconceituosos.

Como o que fez Antônio Carlos com Jeovânio.

O zagueiro atuava no Juventude e o volante no Grêmio.

Depois de discutirem, o ex-jogador da Seleção se irritou.

E passando a mão no próprio braço.

Quis mostrar a ‘razão’ do problema.

3reproducao4 Humilhado por racistas, Touré deu a resposta que fez a Fifa tremer. Ameaçou liderar um boicote de negros à Copa da Rússia. Blatter imediatamente agiu. Sabe que não há Mundial sem negros, amarelos, brancos, mestiços. As punições serão duras aos clubes e aos racistas...

O seu rival ser negro.

A imagem é chocante e marcou o final da carreira de Antônio Carlos.

Impediu, por exemplo, que fosse trabalhar como treinador no Vasco.

As torcidas fizeram uma enorme campanha contra ele.

O Vasco foi o primeiro clube do Brasil a admitir negros jogando no seu time.

E Roberto Dinamite teve de voltar atrás e não contratá-lo.

Inesquecível a postura de Grafite em relação a Desábato.

O atacante do São Paulo revelou que o zagueiro do Quilmes o chamou de macaco.

Velho costume de atletas do futebol argentino quando enfrentam brasileiros.

Desábato acabou sendo preso em pleno Morumbi.

Mas Grafite resolveu retirar a acusação.

E nada aconteceu contra o adversário.

O brasileiro foi muito criticado por recuar.

Principalmente por várias entidades que lutam pelo direito dos negros.

Assim como também fez a CBF.

No Sul-Americano Sub-20 em 2011, no Peru.

Jogavam Brasil e Bolívia.

E a torcida peruana começou a imitar macacos.

Bastava Diego Maurício pegar na bola.

O jovem jogador ficou abalado.

Mas a CBF resolveu ignorar as ofensas.

Para não criar problemas com a organização do torneio.

Infelizmente há centenas de outros casos pelo mundo.

Tudo ainda estava muito solto em relação ao racismo.

Foi preciso Touré ameaçar levar à frente um boicote.

E a Fifa despertou para a seriedade da questão.

Não há Copa sem negros.

Sem brancos, sem amarelos, sem mestiços.

Mas há futebol com racismo.

E isso só irá acabar com leis rígidas.

Contra os torcedores e os clubes destes racistas.

O Leste Europeu e o resto do mundo estão alertados.

Pelo menos no futebol o preconceito custará caro.

Fora dele, ainda vai imperar a hipocrisia…
1reproducao22 Humilhado por racistas, Touré deu a resposta que fez a Fifa tremer. Ameaçou liderar um boicote de negros à Copa da Rússia. Blatter imediatamente agiu. Sabe que não há Mundial sem negros, amarelos, brancos, mestiços. As punições serão duras aos clubes e aos racistas...

O Futebol como reprodução do Status Quo educacional brasileiro

Anthony Cardoso

Não há como negar que no Brasil, o futebol é o esporte mais acompanhado, mais jogado e o mais desejado, desde crianças até os mais idosos. O homem que pelo menos uma vez na vida não jogou bola na rua ou no campinho, ou então nunca escolheu seu time ou seleção preferida no video game  que atire a primeira pedra. Nos dias de hoje, mesmo as mulheres vem adquirindo um interesse pelo esporte; é verdade que tanto os times profissionais quanto a Seleção Brasileira não dão o devido apoio, seja por falta de interesse ou sobretudo pela cultura machista imponente que ainda paira em nosso território, afinal, “mulher não sabe nem o que é um impedimento”.

Mas a questão não é essa. Quando eu assisto um jogo de futebol ou algum programa esportivo, os jogadores geralmente dizem a mesma coisa. Um exemplo básico:

O time A está ganhando do time B; no intervalo, o repórter lança a pergunta (que costuma ser a mesma também) para o jogador A, que responde:

-Vamos continuar nesse ritmo para ganhar os 3 pontos.

O repórter lança uma pergunta um pouco diferente, pelo fato da derrota provisória para o jogador B, que diz:

-Vamos voltar para o 2° tempo para fazer os gols e empatar ou ganhar.

Ao final do jogo, o time A mantém a vitória sobre o B. O mesmo repórter se aproxima do jogador A. Resposta:

-Agora é trabalhar para manter o ritmo.

Resposta do jogador do time B:

-Agora é trabalhar para recuperar os pontos perdidos.

Seja na vitória, no empate ou na derrota, nos treinos, entrevistas em geral, como testemunha ocular diária eu digo: o jogador de futebol adquiriu um vício por falar a mesma coisa. Porque?

O que me chama a atenção é pelo fato do futebol não ser somente o esporte em si, onde o aprimoramento físico e tático é o principal objetivo. Ele envolve vários aspectos. Pela visibilidade que o esporte alcançou ao longo das décadas, o papel social e porque não, político que ele exerce é significativo. Na final da década de 60, Pelé juntamente com o time do Santos promoveu um jogo em prol do fim da guerra civil no Congo. Na ditadura militar, a Seleção Brasileira amainou por uns dias o horizonte negro que pairava no país com a conquista da Copa do Mundo.

Hoje em dia, alguns jogadores participam de jogos beneficentes no período de férias para arrecadar fundos direcionados a instituições de caridade. Volta e meia também vemos clubes realizarem doações para essas mesmas ONG’s. Ou seja, mesmo não sendo o objetivo de tais grupos, mas o empenho de cunho social praticado no futebol em uma escala global é louvável, no entanto, porque esse poder de engajamento não se transformou em esclarecimento lógico-comunicativo nos jogadores brasileiros?

Mesmo o futebol alcançando tal repercussão no país e os jogadores sendo obrigatoriamente formadores de opinião, graças a exposição rotineira e cansativa da mídia, não cabe ao esporte formar ativistas prontos a defender um ponto de vista, um ideal politico em seu clube. Eu vejo a parca comunicação dos atletas como um reflexo da educação que temos no país. Elementos como falta de professores nas escolas, baixos salários, consequente desinteresse do profissional diante das más condições de trabalho como locais distantes, falta de educação dos alunos e negligência da direção em relação a problemas com drogas e de abusos sexuais etc. Todos essas barreiras podem ser encaradas por aquele aluno apenas como uma fase, em que o único objetivo é obter o diploma, sair desse lugar e alcançar o sonho de ser jogador de futebol.

É interessante que muitos pais ao descobrirem o desejo dos filhos de ingressarem no futebol, os veem como uma oportunidade de ascensão social. No entanto, assim como em diversas profissões, existem o bom profissional e o mal profissional e se em uma profissão há uma procura excessiva, poucos são os destaques e muitas as decepções. E assim, aquele jovem que sonhava com os holofotes e as facilidades que o futebol proporciona, ao receber o “não” na peneira, não vê outra saída senão se sujeitar a trabalhos com baixo salário e alta exploração, tal como a lógica capitalista nos presenteia. É possível que se tivéssemos uma educação qualificada, disposta  realmente a inserir no adolescente tanto o conhecimento como forma de se entender e entender os mecanismos da sociedade quanto formá-lo profissionalmente, o cenário seria diferente. Não é à toa que no final da carreira, alguns jogadores procuram uma qualificação acadêmica como forma de expandir o leque profissional, para além das quatro linhas.

No futebol em geral, obviamente o trabalho e dedicação constantes de uma equipe geram bons frutos ao final da temporada, seja ela o título ou a vaga para uma competição internacional; todavia, fatores como uma bola desviada do time adversário que termina na rede, o craque do time se machuca, ou uma péssima arbitragem influenciam no projeto final.

Na educação é a mesma coisa. Não basta o Estado ter dinheiro e não investir no lugar certo ou investir mal, assim como não adianta haverem bons professores se não há condições suficientes para darem uma aula de qualidade. Tem de haver uma mudança de mentalidade do Estado, priorizar a educação e entendê-la como um dos pilares para a evolução de um país. Porque, como resultado desses problemas, o Brasil amarga o Z-4 do ranking global de qualidade na educação. Periga ficar nas divisões inferiores por um bom tempo; por isso, é necessário nos dizeres dos jogadores, “trabalhar para recuperar os pontos perdidos”

O dia em que Mario Balotelli zombou da Alemanha e do racismo

O certo é que a parte racista da Itália terá de engolir a própria língua, se quiser ver a “Squadra Azzurra” campeã da Eurocopa

Por Rita Zanon

Em qual lugar a Itália (principalmente a do norte) guardará o seu racismo, depois dos dois maravilhosos gols marcados pelo Mario Balotelli contra a Alemanha, na semifinal da Eurocopa? Difícil responder, porque na Itália (assim como na maioria dos países da Comunidade Européia) o racismo se tornou algo normal, que faz parte do cotidiano. “A minha pátria é a língua portuguesa”, escreveu Fernando Pessoa. Mario Balotelli, nascido na Itália, filho de imigrantes ganeses e adotado por um casal italiano, escolheu a língua de Dante como sua pátria aos 18 anos de idade.

Ao final da partida, enquanto todos os jogadores do banco italiano correram para dentro do campo, Mario Balotelli permaneceu imóvel e sereno. Alvo de inúmeras demonstrações de racismo ao longo de sua carreira, desde os tempos em que defendeu a Inter de Milão, Mario se contrapõe ao racismo de maneira altiva, tal qual Muhammad Ali.

O certo é que a parte racista da Itália terá de engolir a própria língua, se quiser ver a Squadra Azzurra campeã da Eurocopa.

Via Outras Palavras