A ideia de Socialismo a partir de uma reflexão histórica

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A ideia de socialismo a partir de uma reflexão histórica[1]

Thiago Augusto Pestana da Costa*

Introdução

O presente artigo procura discutir o conceito de socialismo[2] utópico e científico proposto por Friedrich Engels, tendo em vista que sua obra pode ser considerada como fonte histórica devido ao tempo e espaço em que foi escrito, que, por conseguinte, dialoga com uma ampla historiografia onde o campo da metafísica é sobrepujado pelo materialismo histórico dialético. A civilização europeia passou a chamada transição[3] da Idade Média para a Idade Moderna seguindo configurações econômicas bastante diferentes. O capitalismo foi, e é visto, como um fator determinante que modificou plenamente a economia europeia – e de todo o mundo –, que no período precedente foi feudal, teve que romper todo o secular sistema econômico em favor de outro mais dinâmico, avassalador e excludente. Não significa que o sistema feudal fosse melhor em relação ao incipiente modo de produção, no entanto, a mentalidade das pessoas mudaria subitamente, e os antigos servos passariam para a condição de proletariados, ou seja, eles trabalhariam em troca de salário fomentando os anseios dos antigos nobres agora burgueses em ascensão.

“Devemos empregar com precaução a palavra “burguesia” e devemos evitar o termo “capitalismo” enquanto não se trate da sociedade moderna, onde a produção maciça de mercadorias repousa sobre a exploração do trabalho assalariado, daquele que nada possui”, ou seja, os donos dos meios de produção explorando a mão de obra engendrando uma opulência individual em detrimento da participação coletiva (Vilar, 2003, p. 38). Caracteriza-se diante destas circunstâncias a mudança de comportamento cultural, político, econômico e social inserido no processo de “longa duração”.

Evidentemente, seria necessária uma observação no plano social da civilização medieval para que possamos melhor compreender esta transição. Ora, um mestre detinha o segredo do ofício e para auxiliá-lo em seu trabalho, contratava jornaleiros[4] ou ajudantes – que em troca ganhavam além do aprendizado, moradia e comida.  No entanto, após certo tempo de experiência, o aprendiz poderia abrir sua própria oficina mediante a aprovação da Corporação de Ofício que avaliaria suas habilidades e competências. Para este que almejava ser mestre, era necessário possuir certa quantia de recursos que viabilizasse a abertura de sua oficina. Na visão de Engels (2001), a produção de artigos estava relacionada para o consumo próprio da família ou do senhor feudal e o comércio se dava mediante aos excedentes que porventura fossem produzidos. Os preços eram regulados em Corporações do Ofício[5] onde os mestres não poderiam cobrar além do estipulado pela corporação – a concorrência era mínima.

Em função disso, estava claramente posto que tais produções medievais não pudessem crescer em alta escala. Seria necessária uma reformulação[6] dos meios de produção onde o homem mais privilegiado economicamente colocaria à sua disposição um vultoso contingente de pessoas trabalhando. Ficaria incumbida dessa missão a velha Europa e a famosa Revolução Industrial, que por si “é um fenômeno complicado; em nenhum lugar ele ocorreu de uma só vez” (Braudel, 2004, p.341). Paralela a ela, a ascensão do iluminismo trouxe à baila questões contundentes que colocariam em xeque os modelos sociais predecessores dando ênfase na razão, muito embora essa estivesse galgada sob a ótica da burguesia. A nobreza medieval se inclinava para a burguesia moderna estendendo sua hegemonia aos lugares mais longínquos de onde pudesse tirar benefícios. A ideia de socialismo como sabemos, estava relacionada aos interesses coletivos que de certa forma causava repudia das elites que não abririam mão de suas riquezas. É evidente que os chamados socialistas utópicos Saint Simon, Fourier, Owen e até Proudhon[7], contribuíram significativamente – cada um com a sua teoria – para a consolidação do pensamento socialista, porém, seria necessário que a teoria saísse do campo das ideias e fosse colocada em prática. Precisamos ter cuidado ao tratar deste assunto para não cometermos anacronismos, sendo assim, um dos novos fatores, ao lado da indústria que colocariam a Europa sob um contexto foi a substituição da troca pela ascensão do dinheiro. Aquela sociedade estamental fora modificada. O capitalismo começou a estender seus braços na Europa e a mentalidade do homem passou a contrapor o lema da Revolução Francesa, sobretudo da burguesia que com sua hegemonia espalhou a miséria às classes menos favorecidas que teve que fornecer sua mão de obra e o corpo para sobreviver[8]. A civilização toma corpo em um vultoso antagonismo de classes e os chamados socialistas utópicos sentiram a necessidade de pensar um modelo de sociedade diferente do degradante sistema capitalista. O pensar demais foi um agravante, era necessário agir, tentar para mudar, porém, não importa o tempo em que estejamos falando, é nítido perceber que foram os interesses das “elites que provocavam os acontecimentos” e “sempre eram muito mais exclusivas do que o público eleitor e normalmente tomavam as decisões fora das vistas de todos” (Gay, 2002, p.37). Sufocados, restava aos trabalhadores exploração[9], esta estendida até o momento que nos ocupa. Tamanhos entraves não estavam repercutindo apenas do micro[10], mas também no macro[11] espaço geográfico.

A hostilidade francesa à Grã-Bretanha era um pouco mais complexa, mas a sua corrente que, como os britânicos, exigia uma vitória total foi grandemente fornecida pela Revolução, o que trouxe ao poder uma burguesia francesa cujos apetites eram a seu modo, tão ilimitados quanto o dos britânicos (Hobsbawm, 2015, p.143).

Nesse sentido, era necessário para a França, exterminar o comércio britânico para estabelecer sua hegemonia detendo o monopólio mundial. Foi o que vimos Napoleão Bonaparte tentando fazer com o Bloqueio Continental. Ora, como poderia emergir diante a estes antagonismos um sistema socialista onde o individual sempre sobrepujava o coletivo. Era necessária a unificação da classe trabalhadora que sempre foi à maioria em relação à nobreza e burguesia. Eis o cerne da discussão, ou seja, o pensamento metafísico seria superado pelo materialismo histórico dialético que vai de encontro ao coração do sistema capitalista de maneira científica desmascarando os antagonismos dando sentido à vida. Nesse sentido, “somos obrigados a lembrar que o primeiro pressuposto de toda a existência humana e, portanto, de toda a história , é que todos devem estar em condições de viver para poder “fazer história””, no entanto “para viver, é preciso antes de tudo comer, beber, ter moradia, vestir-se e algumas coisas mais” (Marx; Engels, 2010, p.53). Para que isso pudesse de fato ocorrer, seria necessária a unificação do proletariado que segundo Engels (2001) estava em condições extremamente desfavoráveis onde o êxodo rural engendrou um inchaço urbano e as extenuantes jornadas de trabalho não fazia diferença entre homens, mulheres ou crianças.

A Lei de fábricas inglesas de 1833, inicialmente só afetou a indústria têxtil estipulando a jornada de trabalho básica de 12 horas por dia para menores de 13 e 18 anos, para crianças de 9 a 13 anos, 8 horas por dia, além da proibição do trabalho para menores de 9 anos. Os empregadores tentaram contornar de todas as formas a Lei e conseguiram que o Parlamento reduzisse a idade mínima de trabalho para 8 anos e a carga horária de 12 horas por dia inclusive para as crianças (Abendroth, 1970, p. 36-37, tradução nossa)[12].

Vale ressaltar, segundo Abendroth (1970) que a partir da lei de junho de 1847 a carga horária de trabalho para as mulheres e crianças caiu de 11 para 10 em maio de 1848 e que em 1850 a carga de 10 horas diária abrangeu todos os trabalhadores, sobretudo no primeiro momento, das indústrias têxteis. “As experiências dessa luta inglesa que ajudaram os trabalhadores franceses a impor a Lei de jornada de 12 horas como o mais importante resultado da revolução de fevereiro de 1848[13]” (Abendroth, 1970, p. 37, tradução nossa). A ideia de socialismo começara a sair do campo das mentalidades e começava a ganhar espaço com as grandes paralisações trabalhistas colocando na prática a famosa frase que abre o Manifesto do Partido Comunista: “A história de todas as sociedades que existiram até hoje é a história da luta de classes” (Marx; Engels, 2013, p. 45). A utopia do socialismo se dava devido ao querer mudar, mas impossibilitados de poder mudar. A massa proletária unida passaria a compor o chamado “Socialismo Científico”. Sendo o capitalismo o fruto da contradição do feudalismo, e sua dinâmica exploratória uma doença social, somente através da revolução trabalhista que as coisas poderiam mudar. Assim como o feudalismo fora sobrepujado, o capitalismo também seria, até que a passagem transitória do socialismo engendrasse na mentalidade das classes operárias o sentido de igualdade até a ascensão – conforme Marx e Engels teorizavam – do “modelo ideal” de sociedade, ou seja, a Comunista.

Fonte

Engels, Friedrich. Do socialismo utópico ao socialismo científico. Diponível em: pachto://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cv000064.pdf; Acesso em: 14 nov. 2015.

 

Referências Bibliográficas

Franco Júnior, Hilário, 1948- A Idade média: nascimento do ocidente / Hilário Franco Júnior. — 2. ed. rev. e ampl. — São Paulo: Brasiliense, 2001.

Marx, Karl e Engels, Friederich. O manifesto do partido Comunista – 2ª ed. Tradução: Pietro Nassetti – 12ª reimpressão – São Paulo: Martin Claret, 2013 – (Coleção obra prima de cada autor).

­­_______________. A Ideologia alemã. 3ª reimp. Tradução: Frank Müller. São Paulo: Martin Claret, 2010 – (Coleção obra prima de cada autor).

 

Capítulos de livros

Abendroth, Wolfgang. Historia social del movimiento obrero europeo. 2ª ed. Barcelona: Estrela, 1970. pp.34-53.

Braudel, Fernand 1902-1985. Gramática das civilizações. F. Braudel; [tradução Antônio de Pádua Danese]. – São Paulo: Martins Fontes, 1989. – (Coleção O homem e a história). pp. 341-361.

Gay, Peter. O século de Schnitzler: a formação da cultura da classe média – 1815-1914. São Paulo: Companhia das Letras, 2002, pp. 25-54.

Hobsbawm, Eric J. A era das revoluções 1789-1848. – 35ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2015. pp. 133-164.

Vilar, Pierre. A transição do feudalismo para o capitalismo. In. Santiago, Theo (org). Do feudalismo para o capitalismo – uma discussão histórica. São Paulo: Contexto, 2003. pp. 38-40.

Artigos em periódicos

Paiva, Carlos Águedo. – Marx, Dobb, Sweezy e Hobsbawm, e a polêmica acerca da transição do feudalismo para o capitalismo. Disponível em: <https://docs.google.com/a/aedu.com/document/d/1k13Vd20y0eUz8z_vnUfWFHQrjTsdIJgah2kOodHrz0A/edit?usp=sharing&gt;. Acesso em: 02 mar. 2015.

[1] Artigo apresentado pelo aluno Thiago Augusto Pestana da Costa ao curso de Licenciatura em História, para cumprimento da disciplina História Contemporânea ao professor MS. Rodrigo Martins dos Santos Irponi.

* Aluno do 6° Semestre do curso de Licenciatura em História pela Universidade Anhanguera de São Paulo – Campus III – UNIAN. RA: 6662305489. E-mail: thiago_augustopestana@yahoo.com.br.

[2] Engels, Friedrich. Do socialismo utópico ao socialismo científico. Disponível em: pachto://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cv000064.pdf; Acesso em: 18 out. 2015.

[3] Sobre a transição, inúmeros trabalhos foram produzidos, entre eles saliento: Paiva, Carlos Águedo. Marx, Dobb, Sweezy e Hobsbawm, e a polêmica acerca da transição do feudalismo para o capitalismo. Disponível em:<https://docs.google.com/a/aedu.com/document/d/1k13Vd20y0eUz8z_vnUfWFHQrjTsdIJgah2kOodHrz0A/edit?usp=sharing&gt;. Acesso em: 02 mar. 2015; e Vilar, Pierre. A transição do feudalismo para o capitalismo. In. Santiago, Theo (org). Do feudalismo para o capitalismo – uma discussão histórica. São Paulo: Contexto, 2003. p. 38-40.

[4] Jornaleiros eram os sujeitos que trabalhavam e recebiam por dia. Na civilização contemporânea são os chamados freelancers.

[5] A discussão sobre o assunto pode ser observada em: Franco Júnior, Hilário, 1948- A Idade média: nascimento do ocidente / Hilário Franco Júnior. — 2. ed. rev. e ampl. — São Paulo: Brasiliense, 2001.

[6] Fernand Braudel nos dá ampla descrição do contexto industrial e científico da Europa com pós e contras para a construção dos moinhos, a eficiência do cloro, construção de estradas e fluidez dos canais para escoamento de mercadorias, por fim a necessidade da burguesia em adquirir mão de obra a baixo custo. Ver: Braudel, Fernand. Gramática das Civilizações. 3ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2004. Sobretudo das pp. 341-361.

[7] Este pode ser considerado o mais revolucionário em relação aos demais, sobretudo com sua ideia anarquista pautada na ausência do Estado.

[8] Engels, op. cit. p.25

[9] Refiro-me ao conceito de “mais valia” de Marx.

[10] Micro no sentido geográfico: cidade, Estado ou país.

[11] Todo o mundo.

[12] “la ley de fábricas inglesa de 1833, que al principio sólo afectaba a la industria textil, fijó horários básicos de trabajo – para menores de edad entre 13 y 18 años, 12 horas; para niños de 9 a 13 años, 8 horas diarias; el trabajo de los niños menores de 9 años quedó prohibido. Los patronos intentaron soslayar en lo posible esta ley; incluso consiguieron que el Parlamento redujera a 8 años la edad mínima para la ocupación laboral de niños y que el horario general de las fábricas, fijado ahora en 12 horas, fuera también obligatorio para lós niños” (Abendroth, 1970, p. 36-37).

[13] “Las experiencias de esa lucha inglesa las que ayudaron a los obreros franceses a imponer la ley de la jornada de 12 horas como el más importante resultado de la revolución de febrero de 1848” (Abendroth, 1970, p. 37).

O significado de Raízes do Brasil, por Antonio Candido

Publicado originariamente em Café Com Sociologia.
Reproduzimos a seguir uma resenha elaborada por Antonio Candido e publicada na em 1995 como prefácio do livro de Sérgio Buarque, Raízes do Brasil (26ª ed.), publicado pela Companhia das Letras.

O significado de Raízes do Brasil, por Antônio Candido

Em meados do século XX, três livros levaram uma geração a refletir e se interessar pelo Brasil, obras que pareciam exprimir a mentalidade ligada ao “sopro” de radicalismo intelectual e análise social impulsionado após aRevolução de 1930.
A anticonvencional composição extremamente livre e franca de Casa Grande e Senzala, como no tratamento dado à vida sexual do patriarcalismo, e a importância decisiva atribuída ao escravo na formação do modo de ser do brasileiro causou forte impacto na época. Informações e dados que ensejavam noções e pontos de vistas inovadores no Brasil de então. Entretanto, a preocupação do autor com problemas de fundo biológico (raça, aspectos sexuais da vida familiar, equilíbrio ecológico alimentação) dialogava com o naturalismo dos velhos intérpretes da nossa sociedade, como Sílvio Romero, Euclides da Cunha e Oliveira Vianna.
Três anos depois aparecia Raízes do Brasil. Livro curto, de poucas citações, mas que, entre outras influências, fornecia indicações importantes para compreenderem o sentido de certas posições políticas daquele momento, em que se se buscava soluções novas, fosse à direita, no integralismo, fosse à esquerda, no socialismo e no comunismo.
Seis anos depois do livro de Sérgio Buarque de Holanda, Caio Prado Jr. lançava Formação do Brasil Contemporâneo. Interpretação do passado em função das realidades básicas da produção, da distribuição e do consumo. Nele, o autor afasta-se do ensaísmo (marcante nos outros dois livros), prioriza dados e argumentos em detrimento de categorias qualitativas como “feudalismo” ou “família patriarcal”. O materialismo histórico aparecia como forma de captação e ordenação do real, desligado do compromisso partidário ou desígnio prático imediatista.
No pensamento latino-americano, a reflexão sobre a realidade social foi marcada pelo senso dos contrastes e mesmo dos contrários – apresentados como condições antagônicas em função das quais se ordena a história dos homens e das instituições. “Civilização e barbárie” formam o arcabouço do Facundo e de Os Sertões. O pensamento do autor não foge a esse modelo, se constitui pela abordagem dialética de conceitos polares, não como se eles fossem mutuamente excludentes. A visão de um determinado aspecto da realidade histórica é obtida pelo enfoque simultâneo dos dois; um suscita o outro. Sérgio Buarque aproveita o critério tipológico deMax Weber ao focar pares de tipos ao invés de pluralidades de tipos, para trata-los de maneira dinâmica e ressaltar a interação dentro do processo histórico. Com este instrumento, o autor analisa os fundamentos do nosso destino histórico e suas diversas manifestações: trabalho e aventura, método e capricho, rural e urbano, burocracia e caudilhismo, norma impessoal e impulso afetivo – são pares destacados na estrutura social e política pelos quais é possível analisar e compreender o Brasil e os brasileiros.
Em “Fronteiras da Europa”, o primeiro capítulo, Espanha e Portugal são o ponto de partida para tratar, por exemplo, das diversas formas de colonização da América, e de pontos que serão desenvolvidos ao longo da obra, como o tradicional personalismo e a consequente frouxidão das instituições e baixa coesão social.
A ausência do princípio de hierarquia e a exaltação do prestígio pessoal que implica em privilégio seria outra característica ibérica de grande impacto na colônia. Isso fez com que a nobreza permanecesse aberta ao mérito e ao êxito, o que favoreceu a mania de fidalguia, ou seja, a repulsa ao trabalho regular e às atividades utilitárias, de que decorre a falta de organização. O ibérico não renuncia às veleidades em benefício do grupo ou dos princípios. Aos preteridos de tal privilégio, cabe a obediência cega: “A vontade de mandar e a disposição para cumprir ordens são-lhes igualmente peculiares [aos ibéricos]” (p. 39). A escravidão matou de uma vez a necessidade no homem livre de cooperar e organizar-se.
No capítulo seguinte, “Trabalho & aventura”, está a tipologia básica do livro, a distinção entre o trabalhador e o aventureiro e suas éticas opostas: a que busca novas experiências, acomoda-se no provisório e prefere descobrir a consolidar; e a que estima a segurança, o esforço e a compensação a longo prazo. O continente americano foi colonizado por homens mais próximos do primeiro tipo, o que foi positivo para o Brasil, pois o português manifestou uma adaptabilidade excepcional, ainda que “com desleixo e certo abandono”. Dada a diversidade reinante, o espírito de aventura foi o “elemento orquestrador por excelência” (p. 46). Assim, a lavoura de cana foi mais um aproveitamento de espaço do que ação de uma civilização agrícola.
“Herança rural” é o próximo capítulo que analisa o impacto da vida rural na sociedade brasileira, e suas diferenças em relação à mentalidade urbana.
A agricultura acompanhou a escravidão em seu declínio, promovido por políticos e intelectuais de família fazendeira. O capital ocioso migrou para as cidades, promovendo progresso social e investimento técnico. Isso não refletiu em um desenvolvimento coeso em função da “radical incompatibilidade entre as formas de vida copiadas de ações socialmente mais avançadas, de um lado e o patriarcalismo e personalismo fixados entre nós por uma tradição de origens seculares” (p. 79).
“O semeador e o ladrilhador” é o quarto capítulo. A cidade é entendida como instrumento de dominação já a partir de sua concepção. Ladrilhador refere-se ao espanhol, que vê a cidade como empresa da razão, como as que fundou aqui, planejadas rigorosamente e contrárias à ordem natural; como se correspondessem a um prolongamento da metrópole. Os portugueses, agarrados ao litoral, foram “semeadores” de uma cidade irregular, cuja “silhueta se enlaça na linha da paisagem” (p. 110). O aparente desleixo corresponde a uma prudência condicionada por um realismo não imaginativo ou regido por regra, fruto de um desejo pela fortuna e ascensão social rápida que coíbe a formação de uma mentalidade específica, como em outros países.
O capítulo “Homem cordial” apresenta características do brasileiro resultantes do que foi tratado anteriormente. As “relações de simpatia” reinam, ou seja, as relações impessoais, características do Estado, são suscetíveis de serem levadas para o padrão pessoal e afetivo. Isso impede a formação de uma sociedade urbana moderna. O “homem cordial” pressupõe, de fato, o predomínio do comportamento de aparência afetiva, não necessariamente sincera.
O capítulo 6, “Novos tempos”, analisa o choque nos velhos padrões coloniais causado pela vinda da família real.
A sociabilidade é aparente, uma vez que não se impõe ao indivíduo, tampouco contribui para a estruturação de uma ordem coletiva. Encontra séria barreira na individualidade que emerge na relutância perante a lei que o contraria. A isso também está ligada a satisfação no saber aparente, cujo fim está em si mesmo e, por isso, deixa de ser aplicado em um objetivo concreto. A mudança de atividade torna-se constante, por buscar a satisfação pessoal. As profissões liberais se aproximam dessas características, tanto por permitirem a manifestação individual quanto por prestarem-se ao saber de fachada. É a opção dos membros da classe dominante em função da crise das velhas instituições agrárias, por prescindirem do trabalho direto sobre as coisas, que lembra a condição servil.
A força adquirida pelo positivismo também pode estar relacionada a esse contexto. Uma confiança consistente às ideias, mesmo quando inaplicáveis, ajuda a entender o liberalismo que, no Brasil, se constituía como uma oposição à autoridade incômoda. Da mesma forma, tratou-se de importar a democracia e acomodá-la aos privilégios aristocráticos, sendo que, em outros países, elas eram conflitantes.
O capítulo 7, “Nossa revolução”, mais compacto, sugere que a dissolução da ordem tradicional ocasiona contradições não resolvidas na estrutura social, que surtirão efeitos nas instituições e ideias políticas. A passagem do rural para o urbano representa a passagem da tradição ibérica, baseada em instituições agrárias, para um modo vida próprio, americano. Está ligada a esse momento a passagem da exploração da cana de açúcar, como produto principal de exportação, para o café. Os modelos políticos do passado se adaptam aos novos tempos. Isso é possível através da combinação não harmoniosa entre leis formalmente perfeitas e uma organização administrativa ideal com o mais extremo personalismo. A Abolição tornou inviável a velha sociedade agrária, o que foi o início da “nossa revolução”. Trata-se de superar o passado, adotar o ritmo urbano e propiciar, ao mesmo tempo, a ruptura do predomínio das oligarquias e a emergência das camadas oprimidas da população, únicas com capacidade para revitalizar a sociedade, tornando viável uma vida democrática no Brasil. Contra essa tendência, poderia surgir uma resistência saudosa do antigo modelo, que, de acordo com a intensidade de sua força, poderia se traduzir em formas que comprometam as esperanças de qualquer transformação profunda. O caudilhismo, expressão maior do personalismo que intervém no processo democrático, é um exemplo dessa resistência. A repulsa pela hierarquia e a relativa ausência dos preconceitos de raça e cor são elementos que permitem a convergência rumo à democracia.
Raízes do Brasil escapa ao dogmatismo e abre o campo para a meditação dialética. O autor baseou sua análise na psicologia e na história social, com um senso agudo de estruturas, vinculando dessa forma o conhecimento do passado aos problemas atuais. Propôs que a liquidação das raízes era um imperativo para o desenvolvimento histórico. Perder as características ibéricas era o caminho para a evolução moderna brasileira, cuja trajetória não incluiu um louvor ao autoritarismo, como solução para sua organização. Sérgio Buarque afirmou, em 1936, estar na fase aguda da decomposição da sociedade tradicional. Em 1937 veio o golpe de Estado e o advento da fórmula rígida e conciliatória, que encaminhou a transformação das estruturas econômicas pela industrialização. Era o primeiro passo para a modernização.

Bibliografia:

CANDIDO, Antonio. O significado de Raízes do Brasil. In: HOLANDA, Sérgio Buarque. Raízes do Brasil. 26ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

Que fim levam os jovens escritores?

Marcos Peres em Jornal Rascunho

Acredito que, comigo, o processo foi mais ou menos comum: uma vontade crescente de deixar minha marca em guardanapos de confeitaria, em cadernos escolares, em processadores de texto. O desejo que o escrito tivesse leitores foi posterior, formado aos trancos, junto com a personalidade, leituras e algumas decepções. A ponte entre a primeira e segunda premissa foi a grande inquietação do que a jornada e as agruras de ser um “jovem escritor” me exigiam.

Não tive sucesso com blogs. Nunca consegui encampar as funções de revisor, crítico, fã e publicitário de meu próprio texto. Impelido também por timidez, meu voo mais alto nos primórdios da internet foi creditar um conto — meu — ao Garcia Márquez, repassando-o aos contatos do e-mail. Com isso, recebi três respostas de amigos que não leram e, mesmo assim, não se furtaram a atestar a genialidade do autor. Antes das redes sociais, da proliferação de apócrifos do Caio Fernando Abreu, roubei-me para tentar fugir da invisibilidade de ser um jovem escritor. Perdão, Gabo.

Desisti da internet e, à moda antiga, mandei um calhamaço para uma editora; meses depois, recebi a carta-negativa, com uma curiosidade: meu nome e o título do livro tinham formatação diferente do restante da carta. Compreendi que a resposta seria destinada a outros e que, em todos os casos, denotar-se-ia apenas uma briga já perdida antes mesmo de entrar no ringue: caro senhor Franz. Em que pese as qualidades de seu romance O Castelo, o mesmo não se encontra alinhavado com as diretrizes que norteiam esta editora. Esta era a kafkiana resposta. E, aqui, não pretendo endossar o simplório maniqueísmo de que as editoras, vilãs, recusam-se a publicar os mocinhos, os jovens escritores. Fica apenas o relato que talvez, entre o oceano de originais, alguns bons frutos podem passar despercebidos.

Frustrado com editoras, sem sucesso na internet, decidi participar de um concurso para inéditos. E, que não se enganem, entre começar a escrever e a decisão de participar de um concurso, passaram-se dez anos — sem perspectiva, sem leitores, sem ecos (a não ser o que recebi quando me fantasiei de Gabo). O que me mantinha firme, desculpem o clichê, era o amor à literatura. Calhou que o Evangelho segundo Hitler teve a sorte de cair nas mãos de jurados favoráveis, e venci o prêmio Sesc de Literatura. A alcunha de escritor caiu-me no colo de um dia para o outro, junto a outras pechas — que sempre reagi bem-humorado — como ateu ou nazista. Saí do armário atulhado de papéis e tive de explicar para chefes, colegas e tias na noite de natal que, sim, eu era um ficcionista e que, sim, Evangelho e Hitler estavam inseridos no contexto louco que é ser “ficcionista”.

Enquanto acabo de passar por outra barreira (a publicação do segundo romance), percebo já outros muros, outras agruras. Olho também para uma frase de Borges em O Aleph (o labor do escritor é feito de dois báculos: trabalho e solidão) e vejo que o conselho continua atual. E prevejo que, na solidão de muitos ignotos pen-drives, no invisível trabalho de jovens escritores Brasil afora, a luta da literatura é travada constantemente. Uma luta que acontece agora. Com sangue. E com tinta.

Marcos Peres é escritor. Venceu os Prêmios SESC de Literatura 2012/2013 e o São Paulo de Literatura com o romance O Evangelho segundo Hitler. Vive em Maringá (PR).

O que é Feminismo

Marcia Tiburi

Publicado originariamente em Revista Cult

Uma conversa sobre o feminismo enquanto tal, uma conversa que procure lançar luz sobre sua definição, me parece necessária diante da multiplicidade de vozes feministas, bem como do desentendimento bastante visível na esfera pública, quanto ao que é feminismo. Pairam preconceitos misóginos sobre o próprio termo e fica prejudicada, neste sentido, a proposta geral do feminismo. Daí a necessidade de uma conversa conceitual que possa abrir nossas mentes e percepções para a questão. Abaixo lanço algumas ideias sobre as quais pretendo escrever nos próximos tempos.

O que o feminismo não é

Na intenção de definir o feminismo em seu sentido mais conceitual, podemos começar tendo em vista o que o feminismo não é e, assim, limpar o terreno dos vícios que tem prejudicado não apenas a compreensão mais ampla, mas a própria ação feminista, bem como a ampliação do que podemos chamar de projeto feminista na cultura como um todo.

Tendo isso em vista, podemos começar por afirmar que o feminismo não é uma ideologia no sentido positivo – e a-crítico – de conjunto de ideias, muito menos é uma ideologia no sentido negativo de “falsa consciência” que serviria para acobertar a disputa de poder entre homens e mulheres, quando buscar-se-ia uma supremacia de gênero – no caso o feminino contra o masculino – e uma mera inversão de jogo no sistema da dominação masculina. O feminismo não é uma inversão ideológica. Não é uma inversão do poder. Uma inversão pressuporia sua manutenção. Em outras palavras, o feminismo não é uma manutenção do poder patriarcal com roupagem nova ou invertida que se alcança por uma ideologia de puro oposicionismo.

Se não é ideologia, o feminismo também não é uma forma de ver o mundo. Ele não é uma cosmovisão que se cria de modo estanque em relação à sociedade e que propõe mudanças idiossincráticas em abstrato. O feminismo não pode ser confundido com algo que surge abstratamente como uma pura estética ou metafísica em que a atuação das mulheres – sujeitos do feminismo clássico – seria suficiente para mudar o cenário ético e político da dominação masculina.
O feminismo é o contrário disso tudo. Vejamos o que ele pode ser.

Dialética negativa

Podemos dizer que o feminismo é uma teoria prática que surge das condições concretas das relações humanas, enquanto essas relações são baseadas em relações de linguagem que são relações de poder. Um poder constituído com base no que se pode chamar de paradigma masculinista. O feminismo é uma crítica concreta da sociedade que tem base em uma ação teórica inicial e que é constitutiva da prática enquanto crítica da dominação masculina. Feminista é alguém que pensa criticamente, enquanto essa crítica se dá na direção de uma releitura do mundo que tira os véus desse mesmo mundo organizado pela dominação masculina. Mas a dominação masculina não é apenas atitude dos homens, embora seja fácil para os homens, sujeitos concretos que autorizam a si mesmos como agentes da dominação masculina. A dominação masculina é estrutura de poder ao nível dos dispositivos do poder. Engana-se quem pensa que o “machismo”, nome vulgar da dominação masculina, será desmanchado apenas por meio de uma dominação feminina que seria, aliás, um erro capaz de destruir o feminismo.

O feminismo é, por isso, uma proposição dialética, não uma nova dominação, em que a alteridade preservada e defendida – alteridade que evita toda dominação – faz parte do processo de constituição da teoria e da prática.

Ao mesmo tempo, o feminismo é um projeto filosófico que visa mudar o mundo. Ele relê a história a contrapelo, analisa a história pelo espelho retrovisor buscando a tradição das mulheres, esquecidas e oprimidas, como uma história que tem algo a nos ensinar. Neste sentido, se pode dizer que o feminismo é a filosofia que tem como base um impulso ético e um efeito político.

Quando dizemos que o feminismo é uma teoria prática, definimos seu caráter concreto, mas é preciso saber que a especificidade dessa teoria prática é reflexiva, no sentido de crítica e autocrítica e, portanto, filosófica. Por ser uma teoria prática que parte de uma reflexão crítica o feminismo constitui uma ação crítica.

Por ser necessariamente reflexivo, o feminismo é uma filosofia em seu sentido específico de crítica da linguagem e da crítica ontológica e, a partir daí, da crítica social. O feminismo é, por definição, crítica da linguagem enquanto discurso do preconceito masculinista, crítica das teorias da linguagem baseadas na dominação masculina, crítica da filosofia clássica e de todas as teorias científicas e religiosas que sustentaram a dominação masculina. O feminismo é crítica do discurso masculinista, de suas práticas, de seu sistema. Mas também é autocrítica, inclusive no sentido de evitar imitar o que ele mesmo nega. O feminismo é, neste sentido, uma dialética negativa.

Francesca Woodman

Pluralidade

Feminismo é, sob qualquer aspecto, um termo que se deve usar tendo em vista seu caráter plural. A pluralidade do feminismo não se refere apenas aos múltiplos coletivos, grupos e movimentos que se definem como feministas ou aos diversos modos pelos quais pessoas se definem como feministas. No caso do feminismo, não se trata de falar da pluralidade das tendências apenas, mas de perceber que a pluralidade é própria ao conceito de feminismo, enquanto a pluralidade implica a singularidade que se relaciona com o seu outro.

Em que sentido a pluralidade é inerente ao feminismo?

Poderíamos sugerir o feminismo como universalismo, mas neste caso, teríamos que falar em algo como um universalismo verdadeiro. Pois o universalismo é uma posição na qual todas as singularidades precisam ser assumidas, mas não na interioridade de um universal em sentido masculinista, patriarcal, capitalista, branco, europeu, de classes sociais e culturais favorecidas. O universalismo pode ser precário diante do feminismo se ele não levar em conta o caráter rebelde, sublevado e inadequado do feminismo quando se trata de pensa-lo como aspecto do sistema patriarcal/capitalista. O feminismo é um projeto que não se transforma na totalização que ele mesmo combate. Todo feminismo pode ser democracia, mas, certamente, seu impulso é anárquico no sentido de ser contrário ao poder. O que pode um poder que não combina com o poder?

Eis o espírito do feminismo.

Por isso, podemos dizer que só há sentido em falar em feminismo se transbordamos o seu sentido. Só há sentido em falar em feminismo se nos deixarmos desmanchar nas margens, se expandimos as margens do feminismo na direção de uma eliminação do sistema baseado na identidade. Refiro-me ao sistema patriarcal/capitalista que precisa ser modificado em atos teórico-práticos.

Marginalizar o feminismo: tirá-lo do clima puramente acadêmico, do clima de qualquer pureza, branca, de classe média ou alta, de corpos autorizados, de crenças em identidades estanques e propostas como naturais pelo sistema da razão que administra a não-identidade evitando que ela floresça.

Manchar o feminismo, sujar o feminismo, intensificando a sua capacidade de transformação social e política na contramão das opressões de sexualidade, gênero, raça, crença e classe social.

O que o feminismo pode é transformar a sociedade em bases abertas e ao mesmo tempo revolucionárias na direção de um mundo de direitos assegurados, de respeito à diferença e à singularidade.
Esse poder do feminismo é o próprio feminismo.

Beijo proibido

blog da Revista Espaço Acadêmico

MARCELO GRUMAN*

“Que legal!”, exclamou minha esposa lá da sala. “Marcelo, vem ver o comercial d’O Boticário pro Dia dos Namorados!”. Na peça publicitária de meio minuto, aparecem quatro pessoas, dois homens e duas mulheres, presenteando seus respectivos namorados e namoradas. O inusitado, para muitos telespectadores, acontece quando a porta da casa de cada um dos presenteados se abre, quando o segredo é revelado: dois dos casais são formados por indivíduos do mesmo sexo, um feminino, outro masculino. No dia seguinte, leio que a campanha de Dia dos Namorados do Boticário virou alvo de protestos e ameaça de boicote à marca nas redes sociais e até de denúncia ao Conselho Nacional de Autorregulação Publicitária – Conar, que abriu um processo para julgar a propaganda após receber mais de vinte reclamações de consumidores que consideraram a peça “desrespeitosa à sociedade e à família”. Internautas registraram protestos no Reclame Aqui

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Inaceitável, Dudu, inaceitável…

Via Blog da Boitempo

Em uma viagem de Havana a Managua, falando de coisas de um tempo em que as mortes de amigos e companheiros estavam na ordem do dia, Cortázar me disse, simplesmente o seguinte:

– Emir, a morte é inaceitável.

O que mais acrescentar a isso?

E que morte hoje é mais inaceitável do que a do Galeano, do Eduardo, do Dudu?

E que palavras para expressar o sentimento, para tentar descrever o que é a vida dele, o que nos deia, a falta que nos fará?

Dizer que era o melhor escritor latioameircano contemporâneo, o melhor ensaísta, o melhor jornalista, o melhor ser humano – não basta. Faltará sempre algo, que só os que tivemos o privilegio da convivência podemos avaliar ou sentir.

Ele nos deu um tempo para sentirmos o que seria a vida sem ele, conforme resistia duramente a doença – “é uma luta aqui dentro do dragão da maldade contra o santo guerreiro”, dizia ele. Mas ninguém pode aceitar uma ausência como a dele.

Inaceitável, Dudu, inaceitável.

***

Em 2013, Emir Sader entrevistou Eduardo Galeano para o Repórter Brasil. O escritor e jornalista conversa sobre o que ele chama de uma atual ditadura do medo no contexto das revelações de Edward Snowden, e afirma, sem pestanejar: o mundo está dividido entre indignos e indignados.

Emir Sader nasceu em São Paulo, em 1943. Formado em Filosofia pela Universidade de São Paulo, é cientista político e professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP). É secretário-executivo do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (Clacso) e coordenador-geral do Laboratório de Políticas Públicas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). Coordena a coleção Pauliceia, publicada pela Boitempo, e organizou ao lado de Ivana Jinkings, Carlos Eduardo Martins e Rodrigo Nobile a Latinoamericana – enciclopédia contemporânea da América Latina e do Caribe (São Paulo, Boitempo, 2006), vencedora do 49º Prêmio Jabuti, na categoria Livro de não-ficção do ano. Publicou, entre outros, Estado e política em Marx, A nova toupeira e A vingança da história. Colabora para o Blog da Boitempo quinzenalmente, às quartas.

Download: Coleção Primeiros Passos

Fonte: Arquivos Kronos

Mais uma lista organizada  pelo A. Kronos que temos a satisfação de compartilhar aqui na página. Boa leitura!

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ALVES, R. O que é religião
BERNARDET, J-C. O que é cinema
BORDENAVE, J. O que é comunicação
BORGES, V. O que é História
BRANDÃO, C. R. O que é educação
BRANDÃO, C. R. O que é folclore
BUARQUE, C. O que é apartação – o apartheid social no Brasil
CATANI, A. M. O que é capitalismo
CHACON, P. O que é rock
CHAUÍ, M. O que é ideologia
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COELHO, T. O que é Indústria Cultural
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DE MARIA, L. O que é conto
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MARTINS, C. B. O que é sociologia
NASCIMENTO, C. O que é filosofia medieval
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PEREIRA, C. A. O que é contracultura
PRADO JR., C. O que é filosofia
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SANTOS, J. O que é pós-moderno
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TEIXEIRA, J. de F. O que é filosofia da mente
TELES, M. L. O que é psicologia
VALLS, A. O que é ética