Download: Coleção Primeiros Passos

Fonte: Arquivos Kronos

Mais uma lista organizada  pelo A. Kronos que temos a satisfação de compartilhar aqui na página. Boa leitura!

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ALVES, R. O que é religião
BERNARDET, J-C. O que é cinema
BORDENAVE, J. O que é comunicação
BORGES, V. O que é História
BRANDÃO, C. R. O que é educação
BRANDÃO, C. R. O que é folclore
BUARQUE, C. O que é apartação – o apartheid social no Brasil
CATANI, A. M. O que é capitalismo
CHACON, P. O que é rock
CHAUÍ, M. O que é ideologia
COELHO, T. O que é ação cultural
COELHO, T. O que é Indústria Cultural
COLI, J. O que é arte
COVRE, M. L. O que é cidadania
DE MARIA, L. O que é conto
DINIZ, D.; GILHEM, D. O que é bioética
FRAYZE-PEREIRA, J. O que é loucura
FRY, P. O que é homossexualidade
GEBARA, C. A. O que é cometa Halley
GHIRALDELLI JR., P. O que é pedagogia
HAMBURGER, E. O que é física
HEIDEGGER, M. O que é metafísica
KONDER, L. O que é dialética
LAPLANTINE; TRINDADE. O que é imaginário
LEBRUN, G. O que é poder
LYRA FILHO, R. O que é direito
MARTINS, C. B. O que é sociologia
NASCIMENTO, C. O que é filosofia medieval
OLIVEIRA, V. O que é educação física
PEREIRA, C. A. O que é contracultura
PRADO JR., C. O que é filosofia
RIBEIRO, J. O que é positivismo
RICHERS, R. O que é marketing
ROCHA, E. O que é etnocentrismo
ROCHA, E. O que é mito
ROLNIK, R. O que é cidade
SANTAELLA, L. O que é semiótica
SANTOS, J. L. O que é cultura
SANTOS, J. O que é pós-moderno
SPINDEL, A. O que é comunismo
TEIXEIRA, J. de F. O que é filosofia da mente
TELES, M. L. O que é psicologia
VALLS, A. O que é ética

O Futebol como reprodução do Status Quo educacional brasileiro

Anthony Cardoso

Não há como negar que no Brasil, o futebol é o esporte mais acompanhado, mais jogado e o mais desejado, desde crianças até os mais idosos. O homem que pelo menos uma vez na vida não jogou bola na rua ou no campinho, ou então nunca escolheu seu time ou seleção preferida no video game  que atire a primeira pedra. Nos dias de hoje, mesmo as mulheres vem adquirindo um interesse pelo esporte; é verdade que tanto os times profissionais quanto a Seleção Brasileira não dão o devido apoio, seja por falta de interesse ou sobretudo pela cultura machista imponente que ainda paira em nosso território, afinal, “mulher não sabe nem o que é um impedimento”.

Mas a questão não é essa. Quando eu assisto um jogo de futebol ou algum programa esportivo, os jogadores geralmente dizem a mesma coisa. Um exemplo básico:

O time A está ganhando do time B; no intervalo, o repórter lança a pergunta (que costuma ser a mesma também) para o jogador A, que responde:

-Vamos continuar nesse ritmo para ganhar os 3 pontos.

O repórter lança uma pergunta um pouco diferente, pelo fato da derrota provisória para o jogador B, que diz:

-Vamos voltar para o 2° tempo para fazer os gols e empatar ou ganhar.

Ao final do jogo, o time A mantém a vitória sobre o B. O mesmo repórter se aproxima do jogador A. Resposta:

-Agora é trabalhar para manter o ritmo.

Resposta do jogador do time B:

-Agora é trabalhar para recuperar os pontos perdidos.

Seja na vitória, no empate ou na derrota, nos treinos, entrevistas em geral, como testemunha ocular diária eu digo: o jogador de futebol adquiriu um vício por falar a mesma coisa. Porque?

O que me chama a atenção é pelo fato do futebol não ser somente o esporte em si, onde o aprimoramento físico e tático é o principal objetivo. Ele envolve vários aspectos. Pela visibilidade que o esporte alcançou ao longo das décadas, o papel social e porque não, político que ele exerce é significativo. Na final da década de 60, Pelé juntamente com o time do Santos promoveu um jogo em prol do fim da guerra civil no Congo. Na ditadura militar, a Seleção Brasileira amainou por uns dias o horizonte negro que pairava no país com a conquista da Copa do Mundo.

Hoje em dia, alguns jogadores participam de jogos beneficentes no período de férias para arrecadar fundos direcionados a instituições de caridade. Volta e meia também vemos clubes realizarem doações para essas mesmas ONG’s. Ou seja, mesmo não sendo o objetivo de tais grupos, mas o empenho de cunho social praticado no futebol em uma escala global é louvável, no entanto, porque esse poder de engajamento não se transformou em esclarecimento lógico-comunicativo nos jogadores brasileiros?

Mesmo o futebol alcançando tal repercussão no país e os jogadores sendo obrigatoriamente formadores de opinião, graças a exposição rotineira e cansativa da mídia, não cabe ao esporte formar ativistas prontos a defender um ponto de vista, um ideal politico em seu clube. Eu vejo a parca comunicação dos atletas como um reflexo da educação que temos no país. Elementos como falta de professores nas escolas, baixos salários, consequente desinteresse do profissional diante das más condições de trabalho como locais distantes, falta de educação dos alunos e negligência da direção em relação a problemas com drogas e de abusos sexuais etc. Todos essas barreiras podem ser encaradas por aquele aluno apenas como uma fase, em que o único objetivo é obter o diploma, sair desse lugar e alcançar o sonho de ser jogador de futebol.

É interessante que muitos pais ao descobrirem o desejo dos filhos de ingressarem no futebol, os veem como uma oportunidade de ascensão social. No entanto, assim como em diversas profissões, existem o bom profissional e o mal profissional e se em uma profissão há uma procura excessiva, poucos são os destaques e muitas as decepções. E assim, aquele jovem que sonhava com os holofotes e as facilidades que o futebol proporciona, ao receber o “não” na peneira, não vê outra saída senão se sujeitar a trabalhos com baixo salário e alta exploração, tal como a lógica capitalista nos presenteia. É possível que se tivéssemos uma educação qualificada, disposta  realmente a inserir no adolescente tanto o conhecimento como forma de se entender e entender os mecanismos da sociedade quanto formá-lo profissionalmente, o cenário seria diferente. Não é à toa que no final da carreira, alguns jogadores procuram uma qualificação acadêmica como forma de expandir o leque profissional, para além das quatro linhas.

No futebol em geral, obviamente o trabalho e dedicação constantes de uma equipe geram bons frutos ao final da temporada, seja ela o título ou a vaga para uma competição internacional; todavia, fatores como uma bola desviada do time adversário que termina na rede, o craque do time se machuca, ou uma péssima arbitragem influenciam no projeto final.

Na educação é a mesma coisa. Não basta o Estado ter dinheiro e não investir no lugar certo ou investir mal, assim como não adianta haverem bons professores se não há condições suficientes para darem uma aula de qualidade. Tem de haver uma mudança de mentalidade do Estado, priorizar a educação e entendê-la como um dos pilares para a evolução de um país. Porque, como resultado desses problemas, o Brasil amarga o Z-4 do ranking global de qualidade na educação. Periga ficar nas divisões inferiores por um bom tempo; por isso, é necessário nos dizeres dos jogadores, “trabalhar para recuperar os pontos perdidos”

Agonia e Fim da Educação

Ricardo Santos é professor de História

Neste fim de semana fui até uma farmácia, no centro da cidade, para comprar Ácido acetilsalicílico e Cloridrato de fexofenadina. O primeiro custou R$ 0,59 a cartela e o outro R$ 23,57. Antes de comprar, confirmei os preços no balcão.

Para minha surpresa, na hora de pagar, o valor do ácido era de R$ 0,99. Obviamente, protestei e pedi o cancelamento. A atendente reconheceu o erro e digitou novamente no computador.

Peguei 5 cartelas de ácido, portanto, o valor a pagar era de R$ 2,95. Em seguida, percebi que começou a procurar alguma coisa. Vi que não sabia fazer a conta. Precisou recorrer à calculadora.

Antes que ela terminasse de fazer a conta, na calculadora, dei-lhe o valor correto. Não quero e nem desejo crucificá-la, afinal, atendeu-me educadamente.

Por um lado, o ocorrido mostra que a educação brasileira está falida. Jovens, com raras exceções, não conseguem fazer operações básicas como: multiplicar, dividir, subtrair e somar sem o uso de uma calculadora.

Por outro lado, critica-se os professores por um ensino ruim. Mas, a verdade é que os professores estão de mãos atadas, afinal, dificilmente há reprovação e são reféns de uma legislação educacional retrógrada e conservadora, que não impõe limites aos alunos. No entanto, ninguém nega que, nesse ambiente, não existe motivação para estudar e aprender realmente. Deixo claro que não defendo a reprovação como solução para a aprovação automática.

Tem mais, os tucanos governam São Paulo há mais de vinte anos e não conseguiram melhorar a educação pública. Em nosso entendimento, para eles educação não é prioridade. Podem fazer muito mais e melhor. Começar pela valorização de professores e alunos. Outro dado importante: o ex-presidente FHC ficou na presidência da República, de 1995 a 2003. O que ele fez de concreto pela educação pública neste país? Em seus oito anos de governo, praticamente, não houve expansão das universidades públicas. Quem nega?

Quanto às escolas públicas, de São Paulo e demais estados, vale dizer que estão abandonadas e faltam professores das diversas disciplinas. Com raras exceções. Em vista disso, em algumas escolas, os tiranetes das drogas reinam soberanamente. Exigem, de professores e alunos, obediência e silêncio.

Há julgar pelo que se vê, está claro que o nosso futuro educacional é sombrio. Porque sem educação não há progresso. Ou seja, quando abandonamos a educação, tudo vai mal. Então, num mundo globalizado, como fica o caso de jovens, que não conseguem fazer as quatro operações, ler e escrever?

Outra coisa, também, não adianta fazer concurso público, caso de São Paulo e outros estados, e oferecer salário baixo para tentar atrair os professores. Isso é o mesmo que tentar tapar o sol com a peneira.

Guia de Profissão 2013 – Ciências Sociais

Anthony Cardoso

Nesse momento em que chegam as datas dos principais vestibulares do país, além do maior programa de acesso ao ensino superior, criado pelo Governo Federal: o Enem, aqueles que buscam não só um curso ou uma carreira sólida nesse disputado mercado de trabalho, e sim um sonho, já tem uma opinião formada sobre o curso que pretendem concorrer, mas ainda há aqueles que tem dúvidas e precisam de ferramentas que auxiliem a esclarecer dúvidas que possam surgir sobre o curso superior mirado. Por isso, o InfoEnem realizou um tópico bem esclarecedor dentro de seu guia de profissões sobre o curso de Ciências Sociais. Aproveite!

Segue o link para o artigo: http://www.infoenem.com.br/guia-de-profissao-2013-ciencias-sociais/

Gente de humanas que faz um monte de coisa que não dá dinheiro

Conversando sobre um amigo – digamos apenas que ele é da ˜área de humanas˜ – que se encontra em apuros financeiros, meu marido perguntou:

– Mas afinal, o que ele faz?

Minha resposta foi imediata, sem censura e sem rodeios:

– Ah, você sabe como é, faz um monte de coisa que não dá dinheiro.

E foi aí que me ocorreu.

Quase todos os meus amigos podem ser definidos exatamente assim: gente de humanas que faz um monte de coisa que não dá dinheiro.

Tenho pouquíssimos amigos que construíram uma sólida e tediosa carreira de sucesso em alguma respeitável multinacional.

Meus amigos, quase todos, fazem, fizeram ou farão trampos de:

design gráfico, tradução, revisão, revisão ABNT, programação, decoração, consultoria de moda, webdesign, transcrição, preparação de originais, editoração, legendagem, publicidade, jornalismo, aula de inglês, de francês, aula em faculdade, em cursinho, mestrado, doutorado, com bolsa, sem bolsa, consultoria/assessoria/gerenciamento de redes sociais, assessoria de imprensa, produção de eventos, crítica de arte, de música, de cinema, cenografia, curadoria, agitação cultural, mapa astral.

Escritores, roteiristas, resenhistas, romancistas, colunistas, cronistas e poetas. Professores, palestrantes, repórteres, artistas e fotógrafos. Produtores, atores e diagramadores. Bailarinos, músicos e psicanalistas. Pós-graduandos em ciências sociais, antropologia e história. Estudantes de graduação em filosofia. Ou, para resumir com termos que nossos tiozões reaças entendem bem: “tudo puta, bicha e maconheiro” ❤

Um monte de coisas. Que não dão dinheiro. Nenhuma delas. Nem se juntar tudo.

E eu, que sempre me senti tão sem turma, tão sempre trabalhando quietinha e sozinha em casa, tão avessa ao mundo real repleto de gente com uma CLT na mão e o firme propósito de ganhar dinheiro na cabeça. Eu, que sempre me senti oprimida por aquela propaganda no metrô que mostra um jovem sorridente “decolando na carreira” depois de concluir seu MBA em administração. Eu, finalmente, sorri e me dei conta:

Gente de humanas que faz um monte de coisa que não dá dinheiro – esse é o meu clube, essa é a minha vida.

Somos bichinhos estranhos, nós que somos gente de humanas e fazemos um monte de coisa que não dá dinheiro. Pulamos de frila em frila sempre achando que o de agora vai durar e que o contratante vai pagar em dia. Ignoramos solenemente o fato de que o frila de 2009 pagava exatamente o mesmo que o frila de 2013. Acima de tudo, baseamos toda a nossa vida na convicção de que o próximo frila será melhor, mais interessante e mais bem pago que o atual.

Escrevemos, traduzimos, cantamos e sapateamos. Nosso talentos são múltiplos. Nossa versatilidade é incomparável. Nossa paciência é infinita. Nosso único defeito: não somos uma categoria unida. Se unidos fôssemos, estaríamos nos anúncios do metrô agora mesmo: “venha ser gente de humanas e fazer um monte de coisa que não dá dinheiro você também!” Mas não. Em vez disso, estamos aqui, cada qual surtando com seu próprio prazo e seu próprio cliente inadimplente – ou, no meu caso, tentando escrever mais um texto acadêmico e, em vez disso, escrevendo besteira no blog.

Tenho uma teoria de que nós, gente de humanas que fazemos um monte de coisa que não dá dinheiro, só teremos nosso valor devidamente reconhecido pela sociedade o dia em que o governo quiser subsidiar a vinda de tradutores, fotógrafos, poetas e psicanalistas cubanos. Aí sim seremos importantes – aí sim seremos potência.

Até lá, continuaremos fazendo um monte de coisa – e fingindo para a nossa família e nossos amigos com carteira assinada que ganhamos algum dinheiro.

Camila via Recordar, repetir e elaborar

Manifestações: o passado e o porvir

Estamos no calor do momento. No início do mês quem falasse que haveria manifestações pelo Brasil inteiro seria taxado de louco, eu mesmo faria coro a tal opinião. De fato, estamos vivendo dias novos, onde pessoas como eu, que tenho 25 anos e nunca vivenciaram uma experiência dessas, estão sentindo como viver a política, como ser um cidadão participante e não apenas no evento das eleições, no qual o brasileiro ainda sente como um castigo o fato de ser obrigado a votar em alguém. Há quem diga que estamos vivendo a “primavera brasileira” ou até nas palavras do prof° Henrique Carneiro, uma “revolução”. Eu lhes pergunto (já respondendo): estamos vivendo? Não, não estamos. E digo o por que.

Para lhes responder, eu remonto a exatos dois anos, quando houve a 2ª Marcha da Liberdade, um evento em resposta a repressão policial na Marcha da Maconha, realizada dias antes. Eu fui ao evento e postei em meu blog (link aqui) dando minhas sinceras impressões. Na época, era a Marcha da Liberdade, mas uma liberdade multiuso. Era liberdade para ser gay; liberdade para o aborto; para a liberdade religiosa; liberdade pra fumar uma maconha; liberdade para protestar sem levar balas de borracha e gás lacrimogêneo. Também tinha os contras, afinal, liberdade demais é baderna já dizia a Folha, Estadão e demais veículos da mídia de direita: havia o protesto contra a homofobia, contra a construção da Usina de Belo Monte, contra o Rafinha Bastos, na época iniciando seu caminho para o ostracismo e CONTRA A TARIFA DE R$3,00!!. (pensando aqui com meus botões: porque não fizeram a bagunça já naquele momento? Afinal, não é só pelos R$0,20…) Também estavam muitos jovens, alguns afoitos por irem à primeira manifestação (a primeira vez é excitante mesmo), nem sabiam o que era a PL 122, por exemplo. Foi a minha primeira manifestação e foi importante, apesar de pouco reverberar na mídia e mais importante, nos nossos corações e mentes.

Cá estou, dois anos depois, vindo a mais uma manifestação. Eu fui ao primeiro ato contra o aumento da tarifa e no quinto, ocorrido na segunda feira. Da minha parte eu posso dizer que foi impressionante. Nunca tinha presenciado tantas pessoas nas ruas, gritando, esbravejando, soltando a sua indignação para todo mundo ver. As manifestações, ao contrário da Marcha da Liberdade, tem apenas uma entidade (teoricamente) por trás da organização, o Movimento Passe Livre. Apesar de ser Passe Livre, eles querem apenas no momento a revogação do aumento da tarifa. Porém, o protesto do brasileiro de agora em relação ao de dois anos atrás tem suas semelhanças e discrepâncias. Discrepância em relação a ser mais apartidário. Se em 2011 era permitida a presença de legendas como PSTU, PSOL e PCO, hoje os militantes são rechaçados e obrigados a baixarem suas bandeiras e esconderem seus vínculos. Já a semelhança remonta aos pedidos. Se naquela época existiam reivindicações para todos os gostos, hoje também não foge a regra: há defesas por uma saúde melhor, educação de qualidade, transporte de qualidade, reforma agrária e política, revisão da carga tributária, melhorias no transporte público, PEC 37 etc etc etc.

 

Os perigos

Uma das características desses movimentos é a falta de um líder ou uma organização. Existe o Passe-Livre, dizem alguns. Sim, realmente, mas enquanto estou escrevendo esse texto o aumento já foi revogado. O foco do MPL como declarado em seu site e em entrevista no programa Roda-Viva desta segunda (17/06) é a revogação do aumento e posteriormente a tarifa zero. Sabemos que o país vive uma série de carências nos ramos já reivindicados pelos manifestantes nas fotos acima e numa possível – mas difícil – gratuidade no transporte público, a atuação do movimento na vanguarda seria sem sentido, a não ser por apoio em forma ideológica – o MPL tem afinidades com o socialismo.

Quando estava no quinto ato, acompanhado de um amigo. Paramos para mostrar o nosso cartaz de deboche (legalize já o vinagre) e proferíamos palavras no mesmo estilo quando uma mulher se intitulando jornalista e advogada perguntou o por que de estarmos ali. Expressei minha opinião, dizendo que fora o vinagre, eu era a favor de investimentos em educação para que assim, se formem cidadãos mais conscientes de seu papel na sociedade e sua atuação na política. Muita gente não percebe o seu papel político no dia a dia. Um exemplo básico: um adolescente já adota uma estratégia política ao combinar com os pais a hora de chegar em casa após uma festa e assim, colaborar para o bom ambiente do lar. Tal transgressão desse “acordo” estabeleceria uma má relação entre as partes. Meu amigo também expressou uma opinião parecida, porem, a nossa amiga recente expunha o seu temor, porque segundo ela “quem é a favor de tudo é contra tudo” e “não há uma liderança, um norte” e episódios parecidos já ocorreram na história com fins trágicos como o Nazismo e a Ditadura Militar de 1964 quando diante de uma população desnorteada, surgia um indivíduo prometendo a solução simultânea dos problemas. Compartilhei do temor dela e diante desse cenário, posso tirar algumas conclusões, mesmo ainda me situando na efervescência dos acontecimentos:

1° O tempo dirá se estamos caminhando para uma revolução ou se é apenas um grito de desespero no qual o simples ato de gritar já causa uma calmaria. Os “indignados” da Espanha mostraram sua insatisfação contra o governo socialista e mesmo assim não sobrou outra opção senão a de votar em um candidato da direita. A pesar dos protestos não terminarem até hoje, por enquanto a raiva acabou se tornando um fim em si mesmo. O brasileiro está revoltado contra tudo e contra todos, mas, graças a Deus, ainda vivemos em uma democracia. Ela está aí e mesmo com divergências, os partidos tem o direito de estar nos grupos de protestos, apenas temos que usar os partidos para benefício coletivo.

2° Se não quiserem os partidos que estão aí, uma via alternativa pode ser encontrada ecoando nas vozes do fascismo – uma pausa nas minhas reflexões -. Esse já é o terceiro dia que escrevo esse texto, mais pra acompanhar o desenrolar dos acontecimentos e o que antes eu louvava como sendo uma manifestação legítima, já enxergo um perigo rondando. Para efeito de ilustração, eu recomendo a todos assistirem o filme “A Onda” (2008), filme dirigido por Dennis Gansel onde o professor Rainer Wenger ministra um mini-curso de uma semana sobre autocracia. Seus alunos não acreditam que o totalitarismo possa voltar na Alemanha moderna, porém, o professor mostra de um jeito didático e cativante em cinco dias como é fácil manipular as massas. Os resultados como podem imaginar são desastrosos.

A não ser na Copa do Mundo, o Brasil nunca foi nacionalista; E um país que nunca teve essa característica, de repente evoca seu espirito ufanista com pessoas se enrolando em bandeiras brasileiras e rechaçando partidos políticos em prol de uma unidade (lembre-se do jargão “o gigante acordou”) significa que algumas pessoas ainda não aprenderam com os erros do passado.

Anthony Cardoso

Fontes:

Movimento Passe Livre: <http://saopaulo.mpl.org.br/>. Acesso em 20/06/13

Programa Roda Viva – Movimento Passe Livre: <http://www.youtube.com/watch?v=BYASRwXiQ4g> Acesso em 19/06/13

Wikipedia – A Onda: <http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Onda_(filme)> Acesso em 21/06/13