Leitura de Hoje: O Diabo

Olá, leitores!

Retomando um post sobre leituras que comecei há muito tempo, ironicamente nesta quarentena estou lutando contra o não hábito da leitura, pois nunca fui muito adepto a ler em casa. Meu ritmo sempre foi casa-trabalho e, como trabalho longe, aproveitava esse percurso para ler no transporte público, eu consigo me concentrar mais. Porém, agora a rotina é outra e estamos num período de adaptação.

Pois bem, como retomada, escolhi um livro curto (apenas 64 páginas) de nome “O Diabo” de Leon Tolstói, da editora L&PM Pocket. Acredito que eles nem façam mais esse tipo de publicação, pois nunca mais vi nas bancas ou nas feiras de livros. Outro motivo pela escolha é que eu sempre fui fã dos autores russos mais famosos. Mantenho dentre minhas leituras preferidas Tolstói e Dostoiévski. O modo como eles retratam aspectos da sociedade da época e o sentimento humano sempre me tocaram, mesmo sendo as vezes numa linguagem um pouco complicada de decifrar.

Segue um resumo do conto, publicado no site da Editora L&PM:

Poucos escritores penetraram tão fundo na alma dos seus personagens quanto Leon Tolstói, dono de uma técnica narrativa certeira­ e cristalina. É o que pode ser visto em “O diabo”, conto escrito em 1898. De origem autobiográfica – e provavelmente em razão disso –, o texto só foi publicado postumamente, em 1916, já que Tolstói­ o escondera por considerá-lo escandaloso. “O diabo”­ trata de questões caras ao autor de Guerra e paz: o papel do casamento,­ do sexo e das relações amorosas, bem como a responsabilidade moral dos indiví­duos. Na história, Evguêni, um bacharel em direito,­ se envolve com uma bela camponesa da região, num caso que teria tudo para ser esquecido e relegado às loucuras de juventude. Mas Evguêni é jovem, e não percebe que está criando armadilhas para si mesmo…

Tolstoi coloca o protagonista como uma pessoa de perfil conservador, que mantém planos de gerir bem a herança deixada pelo pai (que fez o contrário, por sinal), ter um emprego de destaque e, claro, casar-se. Ou seja, mesmo sendo jovem, Evguêni tinha pensamentos para um futuro a longo prazo, mas isso não significava que ele não queria aproveitar a vida, no sentido afetivo. Por isso, seu objetivo era se envolver com camponesas, porém, sem nada fixo, pois o matrimonio não era seu objetivo naquele momento.

Após um encontro com Stepanida, uma camponesa esposa de um militar que estava em serviço, Evguêni se sente atraído pela mesma, pedindo cada vez mais encontros através de um intermediário, porém, ele mantinha seu controle emocional, sabia que aquilo era momentâneo. Tanto que após um tempo, ele resolveu se casar e esqueceu Stepanida.

Anos haviam se passado e Evguêni estava com uma vida próspera e com a vinda de um filho, as coisas iam “de vento em popa”, até que em um dia comum de faxina na casa, Liza, sua mulher resolve contratar duas mulheres para fazer o serviço completo, uma delas era justamente Stepanida… e isso acaba deixando Evguêni com sentimentos controversos.

Não vou colocar spoilers, mas adianto que esse conto ainda possui dois finais e ambos são publicados. O que achei interessante no livro foi como por trás da roupagem conservadora da burguesia, que procura mostrar que são pessoas corretas e moralmente responsáveis (muitas delas carregando uma base de cunho religioso), na realidade, muitos aspectos são bem diferentes. Recomendo a leitura!

Anthony Almeida