Agonia e Fim da Educação

Ricardo Santos é professor de História

Neste fim de semana fui até uma farmácia, no centro da cidade, para comprar Ácido acetilsalicílico e Cloridrato de fexofenadina. O primeiro custou R$ 0,59 a cartela e o outro R$ 23,57. Antes de comprar, confirmei os preços no balcão.

Para minha surpresa, na hora de pagar, o valor do ácido era de R$ 0,99. Obviamente, protestei e pedi o cancelamento. A atendente reconheceu o erro e digitou novamente no computador.

Peguei 5 cartelas de ácido, portanto, o valor a pagar era de R$ 2,95. Em seguida, percebi que começou a procurar alguma coisa. Vi que não sabia fazer a conta. Precisou recorrer à calculadora.

Antes que ela terminasse de fazer a conta, na calculadora, dei-lhe o valor correto. Não quero e nem desejo crucificá-la, afinal, atendeu-me educadamente.

Por um lado, o ocorrido mostra que a educação brasileira está falida. Jovens, com raras exceções, não conseguem fazer operações básicas como: multiplicar, dividir, subtrair e somar sem o uso de uma calculadora.

Por outro lado, critica-se os professores por um ensino ruim. Mas, a verdade é que os professores estão de mãos atadas, afinal, dificilmente há reprovação e são reféns de uma legislação educacional retrógrada e conservadora, que não impõe limites aos alunos. No entanto, ninguém nega que, nesse ambiente, não existe motivação para estudar e aprender realmente. Deixo claro que não defendo a reprovação como solução para a aprovação automática.

Tem mais, os tucanos governam São Paulo há mais de vinte anos e não conseguiram melhorar a educação pública. Em nosso entendimento, para eles educação não é prioridade. Podem fazer muito mais e melhor. Começar pela valorização de professores e alunos. Outro dado importante: o ex-presidente FHC ficou na presidência da República, de 1995 a 2003. O que ele fez de concreto pela educação pública neste país? Em seus oito anos de governo, praticamente, não houve expansão das universidades públicas. Quem nega?

Quanto às escolas públicas, de São Paulo e demais estados, vale dizer que estão abandonadas e faltam professores das diversas disciplinas. Com raras exceções. Em vista disso, em algumas escolas, os tiranetes das drogas reinam soberanamente. Exigem, de professores e alunos, obediência e silêncio.

Há julgar pelo que se vê, está claro que o nosso futuro educacional é sombrio. Porque sem educação não há progresso. Ou seja, quando abandonamos a educação, tudo vai mal. Então, num mundo globalizado, como fica o caso de jovens, que não conseguem fazer as quatro operações, ler e escrever?

Outra coisa, também, não adianta fazer concurso público, caso de São Paulo e outros estados, e oferecer salário baixo para tentar atrair os professores. Isso é o mesmo que tentar tapar o sol com a peneira.

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