Sobre o protesto do aumento da tarifa

No último dia 6 (quinta-feira) eu fui na manifestação, organizada pelo Movimento Passe Livre (MPL) contra o aumento da tarifa dos transportes públicos (ônibus, metrô e trem). Em meio a tantas críticas que ouço, tanto pessoalmente quanto nas redes sociais de que “não vai dar em nada” e “é perda de tempo”, resolvi, tanto na qualidade de pesquisador e estudante quanto na de cidadão, fazer aquilo que Malinowski chamava seu trabalho de “observação participante”, afinal, eu também uso transporte público e me sinto lesado diante dos progressivos aumentos tarifários nos últimos anos.

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Apesar de ter sido um evento presenciado em sua maioria por jovens e estudantes, muitos transeuntes, de todas as idades davam-nos apoio, outros se juntavam a nós (esse é um problema que atinge não só os estudantes, mas os trabalhadores inclusive). Ou seja, o transporte público é algo essencial, sobretudo em uma metrópole como São Paulo e o aumento na tarifa, não condizendo com a qualidade prestada pelas administradoras, deflagrava a inconformidade estampada no rosto de cada um que estava marchando.

A reação de algumas pessoas, depredando e pichando ônibus, além de estabelecimentos, apesar de eu não concordar, entendo como compreensível, pois muitos dos que ali estavam (inclusive quem vos fala), advém da periferia, onde por diversas vezes enfrentamos ônibus superlotados, trânsito caótico para trabalhar, ou para o lazer (quando há tempo). Em muitos casos, a própria viagem é mais estressante e cansativa do que o próprio trabalho.

Por outro lado, mais uma vez vimos a força desmedida da polícia. As já conhecidas técnicas de “controle” e “manutenção da ordem” são postas como prioridade no lugar do diálogo. A pequena destruição que se seguiu no meu entendimento foi resultado exatamente dessa força aplicada. Da 9 de Julho até a Av. Paulista o que se seguiu foi uma confusão na qual tivemos que nos dispersar temporariamente.

Mesmo com todo esse aparato de coerção, o que presenciei foi uma vontade de mudança nos manifestantes; a indignação foi a tônica do protesto e por mais que o resultado não seja o esperado, de todo não será negativo. De alguma forma, a semente da revolta foi plantada; e ela está nas redes sociais, no noticiário, na boca das pessoas. Cabe a elas decidirem o que fazer: se apenas criticar e dizer que nunca dará em nada e nem uma opção viável sugerir ou apoiar a causa e dar a sua contribuição, seja ela qual for. Dia 11 terá um novo episódio.

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Anthony Cardoso

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